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As medidas extra do confinamento: fim do café na rua, proibido sentar-se no jardim e mais restrições

O Governo voltou a apertar as regras e a agravar as restrições para tentar travar o pico de contágio no país, que se continuava a agravar.

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Autor: Redação

Três dias depois de anunciar um novo confinamento geral, o Governo voltou a apertar as regras e a agravar as restrições para tentar travar o pico de contágio no país e garantir que os portugueses ficam mesmo em casa, evitando-se os “abusos” dos últimos dias, numa altura em que os hospitais já estão em rutura. Depois da reunião extraordinária de Conselho de Ministros, realizada esta segunda-feira, dia 18 de janeiro de 2021, António Costa apresentou 10 novas medidas extra e garantiu que haverá um reforço do policiamento nas ruas. As escolas mantêm-se abertas, mas acabam-se os “cafés” na rua e os passeios “demorados” no jardim, entre outras coisas.

O primeiro-ministro diz que três dias de confinamento é um período curto para avaliar o impacto das medidas que foram adotadas na quinta-feira, 13 de janeiro de 2021, mas que, recolhendo informações junto das forças de segurança, dos operadores de transportes públicos, dos concessionários das autoestradas e dos dados relativos à movimentação de telemóveis, pode verificar-se que entre sexta-feira, dia 15, e domingo, dia 18, face ao período entre sexta-feira e domingo da semana anterior, registou-se "uma redução de cerca de 30% das movimentações”.

António Costa agradeceu “a todos os que contribuíram para esta redução, mas disse “aos restantes 70% que não é aceitável mantermos este nível de circulação ao fim-de-semana e aos dias úteis”, frisando que “o que está verdadeiramente em causa é a saúde e a vida de cada um de nós e das pessoas que nos rodeiam”. O líder do Governo defende que “não podemos estar sempre à espera do outro. Do polícia que nos venha multar, do Governo que nos venha proibir. Temos de contar connosco próprios”, ainda que admita que haverá um reforço do policiamento nas ruas.

Costa continua a rejeitar o fim das aulas presenciais, reclamado por vários especialistas e forças políticas, e pediu aos portugueses um maior empenho no combate à Covid-19. “O momento que estamos a viver é o momento mais grave desta pandemia. Ainda hoje morreram mais 167 pessoas. Não há nenhuma razão para hoje termos menos medo da Covid-19 do que o medo que tivemos quando ela chegou em março do ano passado”, reiterou o primeiro-ministro.

“Depois de tantos milhares de infetados e de mortos, ninguém pode ter a imprudência de pensar que o Covid só acontece aos outros. Acontece a qualquer um de nós”, se não cumprirmos as regras, lembrando que “todos os dias batemos os recordes dos números de infetados, internados e mortos”.

As 10 medidas extra do confinamento: novas proibições

  • É proibida a venda ou entrega ao postigo de produtos em qualquer estabelecimento do ramo não alimentar, como em lojas de vestuário;
  • É proibida a venda ou entrega ao postigo de qualquer tipo de bebida, mesmo café, nos estabelecimentos alimentares autorizados à prática de take-away;
  • É proibida a permanência e consumo de bens alimentares, à porta ou na via pública, ou nas imediações, dos estabelecimentos do ramo alimentar;
  • São encerrados todos os espaços de restauração inseridos em centros comerciais, mesmo os que podiam operar no regime de take-away;
  • São proibidas todas as campanhas de saldos, promoções e liquidações que promovam a deslocação ou concentração de pessoas;
  • É proibida a permanência em espaços públicos de lazer, tais como jardins, que podem ser frequentados, mas não podem ser locais de permanência;
  • É solicitado aos autarcas que, tal como em março e abril de 2020, limitem o acesso a locais de grande concentração de pessoas, como frentes marinhas ou ribeirinhas, e limitem a utilização de bancos de jardins e parques infantis, e locais de desporto individual, como ténis ou padel;
  • São encerradas todas as universidades seniores, centros de dia e centros de convívio;
  • É reforçado o teletrabalho obrigatório: todos os trabalhadores que tenham de se deslocar para prestar trabalho presencial carecem de credencial emitida pela respetiva entidade patronal, e todas as empresas de serviços com mais de 250 trabalhadores têm de enviar à ACT a lista nominal de todos os trabalhadores cujo trabalho presencial considerem indispensável;
  • É reposta a proibição de circulação entre concelhos ao fim de semana e todos os estabelecimentos de qualquer natureza devem encerrar às 20h00 nos dias úteis, e às 13h00 aos fins de semana, com exceção do retalho alimentar (como supermercados), que aos fins de semana se poderá prolongar até às 17h00.

O primeiro-ministro disse ainda que estas medidas vão ser acompanhadas do reforço da fiscalização da Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) e das forças de segurança, “a quem foi determinada maior visibilidade da sua presença na via pública e designadamente nas imediações dos estabelecimentos escolares, para serem fator de dissuasão e impedirem ajuntamentos que são uma ameaça à saúde pública”.

Contactos têm de ser evitados ao máximo

O virologista Pedro Simas disse esta segunda-feira, à Lusa, que a evolução da pandemia em Portugal indicava que "alguma coisa era preciso fazer" para restringir a movimentação de pessoas e defendeu o reforço a vacinação dos grupos de risco.

“Tudo o que iniba o contacto entre as pessoas faz sentido" na fase em que se encontra o país, defendeu o especialista, no dia em que o Conselho de Ministros extraordinário aprovou o agravamento das medidas restritivas para combater a pandemia de Covid-19.

Sobre as medidas anunciadas por António Costa, Pedro Simas adiantou que a sua eficácia na redução de infeções e de internamentos "depende também se as pessoas adirem" às restrições implementadas, recordando que na primeira vaga, na primavera de 2020, todos os países "só com medidas dramáticas é que conseguiram baixar" os números da pandemia.

"É preciso ir vendo e, em função dos números, apertar mais as restrições ou manter estas", referiu o virologista, que considerou uma "excelente medida" o anúncio do primeiro-ministro de concluir a primeira toma da vacina contra a Covid-19 nos lares de idosos até ao final da próxima semana.

"É aí que temos de nos concentrar, não só nos lares, mas também nos grupos de risco fora dos lares", disse Pedro Simas, ao defender que, ao nível dos profissionais de saúde e das forças de segurança, devem ser vacinados os elementos considerados grupo de risco, libertando vacinas para administrar em mais pessoas.

Pedro Simas adiantou também que esta pandemia já "ensinou" que, com os níveis de infeção registados em Portugal, "só com medidas muito severas é que se consegue travar a disseminação do vírus e baixar para números que sejam aceitáveis", na casa dos dois mil novos casos por dia.