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Sócrates volta a ser interrogado hoje

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Autor: Redação

José Sócrates foi detido sexta-feira à noite por inspetores da Autoridade Tributária, quando chegava ao aeroporto de Lisboa proveniente de Paris, no âmbito de um processo de suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. O ex-primeiro ministro (ocupou o cargo entre 2005 e 2011) esteve ontem a ser interrogado e volta a ser ouvido hoje, dia em que podem se conhecidas as medidas de coação dos quatro arguidos. 

A revelação de que o interrogatório a Sócrates prossegue esta manhã foi feita pelo seu advogado, João Araújo, ontem à noite, a saída do Campus de Justiça, em Lisboa. Sem se alongar nas declarações, disse que as medidas de coação podem “eventualmente” ser conhecidas hoje e que José Sócrates tem respondido às questões do juiz Carlos Alexandre. Pelo meio, revelou que o seu estado de espírito “é ótimo”.

Sorrisos ao entrar nos calabouços da PSP

José Sócrates passou a última noite, a terceira consecutiva, no Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide. À entrada, o ex-primeiro-ministro – é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um ex-chefe de governo é detido para interrogatório – foi captado pelas câmaras com um sorriso na cara. O mesmo tinha acontecido momentos antes, quando Sócrates deixou o Campus de Justiça.

Os outros arguidos são…

Os outros três arguidos neste processo são o empresário Carlos Santos Silva, que foi administrador do grupo Lena entre março de 2008 e outubro de 2009 e é amigo de longa data de José Sócrates, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o ex-motorista de Sócrates João Perna. Foram todos detidos quinta-feira e ontem regressaram ao estabelecimento prisional junto da Polícia Judiciária, para pernoitarem.

O que diz a PGR 

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que confirmou a identidade dos quatro detidos, o inquérito não está relacionado com o Monte Branco nem com a operação Furacão. O mesmo “teve origem numa comunicação bancária efetuada ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) em cumprimento da lei de prevenção e repressão de branqueamento de capitais”, refere a PGR.

“O inquérito, que investiga operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível, encontra-se em segredo de justiça”, conclui o comunicado.

As suspeitas

A comunicação de operações bancárias suspeitas envolvendo José Sócrates terá partido da Caixa Geral de Depósitos (CGD), de acordo com o Diário de Notícias e Jornal de Notícias. A comunicação feita ao abrigo da prevenção e controlo de branqueamento de capitais terá sido realizada há pouco mais de um ano, quando Sócrates estava a residir em Paris. 

Entre as operações que levantaram suspeitas estarão transferências realizadas pela mãe do ex-primeiro-ministro para a conta do filho, que terão chegado a ultrapassar 200.000 euros e que resultaram da venda de imóveis no Cacém e no edifício Heron Castilho, em Lisboa.

O comprador de alguns desses imóveis terá sido o empresário Carlos Santos Silva, que assim utilizaria este esquema para enviar dinheiro para o antigo primeiro-ministro. Terá sido através das transferências realizadas pela mãe, e na sequência do levantamento do sigilo bancário, que as autoridades chegaram a Carlos Santos Silva, que também foi constituído arguido.

O estilo de vida do ex-primeiro-ministro em Paris, designadamente o apartamento que terá comprado num bairro luxuoso da capital francesa, não terá passado despercebido aos investigadores. O único rendimento que se conhece de José Sócrates após ter abandonado cargos públicos resulta da função de presidente do conselho consultivo para a América Latina da farmacêutica Octapharma que renderá um salário mensal de 12.000 euros.