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Endividamento: famílias usam mais de 3.000 milhões de euros de plafond de crédito por mês

Gtres
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Autor: Redação

As famílias portuguesas usam todos os meses mais de 3.000 milhões de euros de plafond de crédito – cartões de crédito, contas-ordenado e linhas de crédito autorizadas (crédito revolving). Trata-se de um valor que reflete gastos sistemáticos que ficam 3.000 milhões de euros acima do rendimento disponível dos agregados.

Segundo o Diário Económico, que se apoia em dados do Banco de Portugal (BdP), os cartões de crédito continuam a ser o principal meio de endividamento: foram responsáveis por 41% de todos os processos de incumprimento iniciados em 2014, mais de 270.000. É o segmento de crédito mais caro do mercado, com a taxa de juro média dos contratos de descobertos bancários a fixar-se em 15,8% – só aplicável se os clientes não reembolsarem os montantes utilizados até à data prevista.

Nos dois últimos anos os portugueses usaram, em média, cerca de 3,2 mil milhões de euros mensais de plafond disponível para fazer face quer a despesas imprevistas. Ou seja, os portugueses utilizam por mês mais crédito “revolving” do que todo o restante crédito ao consumo concedido anualmente pela banca, escreve a publicação, frisado que em 2014, por exemplo, os bancos emprestaram 2,5 mil milhões de euros de crédito ao consumo.

Ainda assim, e apesar do valor elevado dos últimos anos, o montante está muito abaixo dos valores registados antes da crise de 2008, e mesmo já em plena crise do subprime e das periferias europeias, quando os portugueses chegaram a utilizar quase 5.000 milhões de euros por mês. Em 2011, quando a Troika chegou a Portugal, as famílias recorriam ainda a mais de 4,6 mil milhões de euros de descobertos bancários todos os meses.

O cenário mudou não com a menor necessidade dos portugueses de recorrer a estas linhas de crédito mas com a desalavancagem dos bancos durante a crise e o corte agressivo de plafonds feito às famílias mais endividadas.

Situação idêntica aconteceu com as empresas, que no final de 2010 usavam um plafond mensal de 16.000 milhões de euros, principalmente em linhas de crédito, e hoje usam menos de 10.000 milhões mensais, dada a indisponibilidade das linhas para muitos empresários.