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Terrenos investigados por fraude geram prejuízo de 156 milhões para Novo Banco

Emídio Catum, acionista da Paprefu, que recebeu financiamento
Emídio Catum, dono de 50% da falida Paprefu, que recebeu financiamento do antigo BES / Correio da Manhã
Autor: Redação

Um conjunto de três terrenos rústicos na margem sul do Tejo poderá vir a gerar uma perda de 156 milhões de euros de euros para o Novo Banco. Este prejuízo potencial - que se soma a tantos outros num momento delicado da instituição bancária que resulta dos despojos do BES e que o Banco de Portugal está a ter dificuldades em vender - será gerado pela insolvência da Paprefu, empresa à qual o antigo BES deu financiamento. Os terrenos terão um valor atual de mercado entre 10 e 20 milhões de euros. 

A lista de credores da Paprefu, empresa do grupo de Emídio Catum - empresário da margem sul do Tejo -, aponta que o Novo Banco reclama à empresa o pagamento de 156 milhões de euros, por créditos concedidos pelo ex-BES, segundo noticia o Correio da Manhã.

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) está a investigar o negócio da compra dos terrenos, por parte da Paprefu, em Rio Frio. No centro da investigação está a suspeita de que o crédito inicial do ex-BES, no valor de 65 milhões de euros, terá sido utilizado de forma fraudulenta. 

O inquérito foi aberto pelo DCIAP na sequência de uma participação efetuada pela Par valorem, empresa pública que herdou os ativos tóxicos do BPN, em 2013. Foi nesse ano, segundo apurou o CM, que a Parvalorem descobriu uma operação suspeita relacionada com a compra dos terrenos rústicos em Rio Frio, que levantou dúvidas sobre o destino do dinheiro utilizado para a compra desses ativos. 

Herdade de Rio Frio no centro das suspeitas

O Novo Banco avaliou os terrenos localizados na Herdade de Rio Frio em 250 milhões de euros, segundo um relatório do administrador de insolvência da Paprefu citado pelo jornal. Com base em avaliações de peritos imobiliários conhecedores da zona, o CM escreve que os terrenos valem agora entre 10 e 20 milhões de euros, mesmo admitindo a construção urbana.

A insolvência da Paprefu foi pedida pelo Novo Banco. No dia sete de novembro de 2016, o Tribunal do Comércio de Lisboa, onde o processo decorre, proferiu a sentença de declaração de falência dessa sociedade. O ex-Bes concedeu os créditos à Paprefu em 2008 e 2010, segundo a lista de credores.