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Co-living à procura de espaço em Portugal: a tendência mundial que pode virar moda

Dennis Flinsenberg/Unsplash
Dennis Flinsenberg/Unsplash
Autor: carla celestino (colaborador do idealista news)

O termo co-living promete fazer correr muita tinta nos próximos tempos. Em Portugal ainda existem apenas aproximações a este conceito, que pode revolucionar a forma como se vive numa casa partilhada. Esta é uma das conclusões a retirar do evento “Co-living: Get inside the millennial-inspired co-living boom”, que se realizou esta quarta-feira (30 de janeiro de 2019) e foi organizado pela Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliário (APPII).

Há investidores, promotores e arquitetos interessados neste novo conceito de vivência em comunidade, mas existe também um ‘gap’ legislativo e de incentivos que tem de ser depressa ultrapassado. Caso contrário corre-se o risco de se perderem oportunidades. Para Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da APPII, o evento marcou o “arranque definitivo do co-living em Portugal”.

Segundo o responsável, a APPII “tem andado no mundo em busca de novas tendências e novos investidores”, tendo-se apercebido “que o co-living é uma tendência mundial e que Portugal ainda está a passos largos do verdadeiro conceito”. Em declarações ao idealista/news, Hugo Santos Ferreira reconhece, no entanto, que “já foram dados alguns passos nesse sentido, mas que ainda são muito ténues”. “São apenas aproximações ao co-living”, conta. 

"O co-living é uma tendência mundial e Portugal ainda está a passos largos do verdadeiro conceito"
Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da APPII

Presentes no evento estiveram vereadores das autarquias de Lisboa e Cascais, bem como representantes do Hub Criativo do Beato, para, segundo Hugo Santos Ferreira, “se inspirarem e perceberem que se estas cidades querem competir com Nova Iorque, Paris ou Londres têm de perceber que estas são as novas e principais tendências nas capitais do mundo”. Estas entidades mostraram interesse neste tipo de projetos, mas demonstraram algumas reservas em relação às questões de regulamentação e incentivos que ainda não existem para este novo conceito. E deixaram no ar, de resto, uma questão: o co-living deve ser considerado habitação ou hotel? 

“As futuras gerações já vão precisar destas soluções”

Para Williams Johnson, embaixador do Co-Liv em Portugal – uma das maiores associações do co-living no mundo – e CEO da B-Hive Living, a “oportunidade existe em Lisboa”, mas existem também “grandes desafios”, nomeadamente “em relação ao preço do imobiliário, que impede as pessoas de viverem perto do local de trabalho”. Este é um dos fenómenos que “o co-living permite ultrapassar, sobretudo porque pode trazer um preço mais compatível de acordo com os salários das pessoas e também com um novo estilo de vida”, acrescenta.

Apesar do preço por metro quadrado (m2) estar muito elevado em Lisboa para o investimento em co-living, Williams Johnson considera que é “precisamente nessa parte” que os empreendedores do co-living podem” ter uma palavra a dizer, porque têm “coragem para investir”. “Começámos em outros países onde não existiam condições para desenvolver este conceito e ainda assim vingou, e em Portugal não vai ser diferente, pode demorar mas vai lá chegar. Caso contrário [o país] perde oportunidades competitivas. As futuras gerações já vão precisar destas soluções”, alerta.

O prazer de viver em comunidade

Já Matthias Hollwich, diretor da Hollwich Kushner e considerado o melhor arquiteto de co-living do mundo – veio de propósito de Nova Iorque para esta conferência –, lembra que “Portugal tornou-se na maior comunidade digital do mundo” e que muitas pessoas estão a fixar-se em Lisboa com startups. Falamos de empreendedores que procuram não só uma “habitação à medida do seu bolso, mas também do seu estilo de vida”, pois gostam de “viver em comunidade”, diz.

"Começámos em outros países onde não existiam condições para desenvolver este conceito e ainda assim vingou, e em Portugal não vai ser diferente, pode demorar mas vai lá chegar"
Williams Johnson, embaixador do Co-Liv em Portugal e CEO da B-Hive Living

As soluções de arquitetura apresentadas por este especialista deram primazia aos “’rooftops’, habitualmente utilizados para penthouses e que agora são transformados em espaços de comunidade para ginásio, restauração, lazer”. No que diz respeito aos quartos, a “área habitualmente ocupada por um quarto pode ser repensada para comportar quatro quartos e áreas comuns como a cozinha ou espaço de banho sem que percam a sua privacidade e ocupação de espaço”, explica. O arquiteto defende que “diminuir o espaço ocupado permite diminuir o valor da renda a pagar mensalmente” e deixa alguns exemplos: áreas entre os 18 e 20 m2 podem ser utilizadas por 400 euros e entre 35 e 40 m2 por 750 euros.

Para Matthias Hollwich, o co-living “não é uma questão do edifício, não é uma questão do arquiteto, é estar próximo do utilizador do edifício e dotar o espaço de alma”. “Pode não ser um espaço bonito, mas é o espaço que o utilizador aspira a ter”, conclui.