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Franceses descobrem novo filão em Portugal e investem em residências de estudantes

Gtres
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As residências de estudantes estão na mira dos investidores estrangeiros que andam “à pesca” de negócios imobiliários em Portugal. Até 2022 vão nascer no país, pelo menos, cinco projetos deste género, três em Lisboa e dois no Porto. Em causa está um investimento de uma “family office” francesa na ordem dos 70 milhões de euros, revela a consultora Essentia. Na calha está também um projeto de co-living, no quarteirão da Portugália, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. 

No caso do Porto, os projetos de residências de estudantes encontram-se na zona da Asprela e no centro da cidade, disse José Gil, CEO da Essentia, durante um pequeno-almoço com jornalistas. Sobre os imóveis de Lisboa, o responsável não adiantou mais pormenores, limitando-se a dizer que estão a decorrer negociações e que os mesmos encontram-se em zonas perto da linha do metro.

Para José Gil a aposta neste segmento de negócio é uma garantia de sucesso, dado o enorme fluxo de jovens que escolhem Portugal para prosseguir os estudos, nomeadamente Lisboa e Porto. E muita coisa mudou nos últimos anos. Em 2002, quando já estava em funcionamento a SPRU – Residências Universitárias, na Rua dos Sapateiros, em Lisboa, “o problema era garantir segurança aos alunos depois das 18h”. “O Centro Histórico de Lisboa estava desertificado”, contou.

Quarteirão Histórico da Portugália será reabilitado

Poderá vir a ser um dos projetos imobiliários mais “vibrantes” de Lisboa. Falamos da reabilitação do Quarteirão Histórico da Portugália, que está situado na interseção da Avenida Almirante Reis, Rua Marques da Silva, Rua António Pedro e Rua Pascoal de Melo. 

“Fazia parte de um portefólio que era o Fundo Sete Colinas (FSC), que foi adquirido por um investidor estrangeiro, um fundo de pensões alemão, que é nosso cliente. O projeto estava parado e entendeu-se fazer uma remodelação do programa”, explicou José Gil.

Fachada da entrada principal da cervejaria Portugália  / Essentia
Fachada da entrada principal da cervejaria Portugália / Essentia

Segundo o responsável, o FSC está ativo e tem um único dono, o já mencionado fundo de pensões alemão, que comprou as unidades de participação do FSC.

“O projeto para o Quarteirão Histórico da Portugália é multiprogramático: tem escritórios, habitação, co-living e propõe o restauro da fábrica que lá existe”
Nuno Mareus, arquiteto do atelier ARX Portugal

O arquiteto José Mateus, que fundou com o irmão Nuno Mateus o atelier ARX Portugal – o estúdio levou a concurso um projeto para o Quateirão Histórico da Portugal –, revelou que o mesmo “contribui para uma ideia de bairro”. “É multiprogramático: tem escritórios, habitação, co-living e propõe o restauro da fábrica que lá existe”, contou.

Adiantando que o objetivo é tornar o interior de um quarteirão privado num espaço público, o arquiteto disse que o projeto está a ser feito com área de construção inferior ao previsto no projeto anterior e que terá uma área de pavimento superior. “Há uma ideia de bairro ali, esse é um lado que a cidade precisa, em que o que se constrói é um bocado de bairro”. O projeto de reabilitação está atualmente em fase de negociação, estando a ser discutido, revelou, sem adiantar mais pormenores.

Fachada da lateral do imóvel / Essentia
Fachada da lateral do imóvel / Essentia