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Como querem viver as novas gerações?

Annie Spratt/Unsplash
Annie Spratt/Unsplash
Autor: Leonor Santos

A geração dos millennials não quer ter coisas, mas quer ter e viver mais experiências. Preferem uma vida mais flexível (partilhar em vez de possuir) que veio desafiar a economia e as empresas. A realidade de cidades como Lisboa, onde comprar ou arrendar casa ou quarto é difícil, impulsionou o aparecimento de novas soluções de habitação, de que é exemplo o co-living. Trata-se de um modelo embrionário que tem cada vez mais adeptos, mas que ainda deixa dúvidas a alguns millennials. 

Há um interesse crescente por parte dos investidores, principalmente internacionais, no mercado de arrendamento, assim como de co-living. O potencial do mercado de arrendamento na perspetiva de “construir para arrendar”, segundo a consultora CBRE, é elevado e surge da conjugação de diversos fatores como o desequilíbrio entre a oferta e a procura no mercado residencial, as alterações demográficas e sociais, nomeadamente mudanças na estrutura familiar “tradicional”, e os constrangimentos financeiros, relacionados com o preço dos imóveis e as condições de acesso ao crédito à habitação.

Esta mudança gradual é ainda impulsionada pela geração millennial e pelo número crescente de estrangeiros a viver e trabalhar em Portugal, para quem o arrendamento é a opção que mais se adequa ao seu estilo de vida. Será mesmo assim?

O que pensam os millennials

Sebastião Carvalho Martins, Maria Balcão Reis, Francisco Pinto Coelho e Teresa Pereira Monteiro são millennials que trabalham e vivem em Lisboa. Fazem parte dos quadros da CBRE e subiram ao palco da conferência “Tendências do mercado imobiliário 2019”, organizada pela consultora, para dar o seu testemunho sobre como vivem e/ou querem viver.

Reconhecem os preços altos e sabem das dificuldades de encontrar uma solução de habitação adequada na cidade. Frente a frente com especialistas do setor, como Ricardo Kendall da Smart Studios ou Gonçalo Cadete da Estoril Capital Partners (ECP), partilharam as suas vivências e experiência de mercado.

Maria Balcão Reis “não adora” a ideia do co-living, mas reconhece-lhe vantagens financeiras “porque falta oferta” e porque as “pessoas não estão sempre no mesmo sítio. Sebastião Carvalho Martins partilha da opinião e compreende a mobilidade como palavra de ordem nos dias de hoje – referiu-se às trotinetes e bicicletas espalhadas pela capital como exemplos de tendências que querem servir como opção para quem não tem carro e quer aliar a ida para o trabalho a uma experiência diferente. 

Para Francisco Pinto Coelho, “comprar casa era a situação ideal, mas arrendar é a situaçao possível”. Quis sair de casa quando começou a trabalhar e procurou pesar as vantagens da compra e do arrendamento. Chegou à conclusão que comprar seria mais vantajoso, mas não tinha capacidade financeira para contratar um crédito à habitação. Como o arrendamento era a solução que restava, decidiu juntar-se a amigos e arrendar casa, porque suportar uma renda sozinho também não era exequível.

Já Teresa Pereira Monteiro frisou a ideia de que “encontrar casa”, seja em que modelo for, é cada vez mais difícil e identificou duas condicionantes base quando se trata de arrendar. Falou das condições exigidas pelos senhorios (e das cauções, que "são cada vez mais e maiores") e da necessidade de qualquer futuro inquilino ter de mostrar que é “financeiro apto” num universo em que “ganha” quem tiver a possibilidade de “fazer a proposta mais aliciante”.