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Os trunfos de Portugal face a Espanha na hora de captar investimento através dos REIT

Autor: Redação

O regime das sociedades de investimento e gestão imobiliária (SIGI), mais conhecidas por REIT (Real Estate Investment Trust), entra em vigor esta sexta-feira (1 de fevereiro de 2019). Desde Espanha, onde há já alguns anos existem estas sociedades, as Socimi, surgem notícias a dar conta de que Portugal pode “roubar” investidores ao país vizinho.

Segundo o jornal Cinco Días, a entrada em vigor das SIGI em Portugal significa que o país “está a preparar-se para competir” com Espanha na captação de investidores imobiliários, o que acontece numa altura em que o regime fiscal das Socimi está a ser discutido em Espanha. 

Citado pela publicação, Hugo Santos Ferreira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), disse que a chegada das SIGI “é uma boa notícia para o setor imobiliário”. “Além disso é muito oportuno, porque Portugal está a viver um momento positivo e a captar investimento”, referiu.

Apesar de considerar que o mercado nacional é “muito atrativo”, o responsável disse acreditar que tem dois problemas: “A subida de preços sobretudo no setor residencial” e a “grande falta de oferta de ativos”. Para Hugo Santos Ferreira, a grande diferença entre as SIGI e as Socimi é que em Portugal o regime foi criado “para atrair mais investidores para o segmento residencial”.

As próprias Socimi parecem reconhecer o potencial existente no mercado imobiliário nacional. É o caso da Merlin Properties, que tem apostado forte em Portugal, sobretudo no segmento de escritórios. “É uma oportunidade para o mercado português e [a chegada das SIGI] atrairá mais investimento estrangeiro”, disse João Cristina, diretor da empresa em Portugal, citado pela publicação, acrescentando que os preços praticados no país, sobretudo em Lisboa, “continuam a ser atrativos”.

De acordo com Hugo Santos Ferreira, numa altura em que o governo espanhol quer “retirar vantagens fiscais às Socimi, Portugal surge com um mercado muito dinâmico, muito atrativo e muito na moda”. “Espanha está a voltar para trás”, sublinhou.

Ao contrário do que sucede com as Socimi, que têm uma tributação entre 19% e 23% para os investidores estrangeiros, as SIGI preveem uma taxa de apenas 10%, escreve o Cinco Días.