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Vistos gold: das quase mil autorizações atribuídas este ano, apenas 3% foram para o interior

O Governo quer fazer alterações ao regime até ao final do ano, e acabar com o programa em Lisboa e no Porto.

Photo by Blake Guidry on Unsplash
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Autor: Redação

A discussão sobre os vistos gold voltou a acender-se, agora que o Governo anunciou querer dar um passo em frente para por fim à atribuição das Autorizações de Residência para Atividade de Investimento (ARI) em Lisboa e Porto, até ao final do ano. O objetivo é canalizar o investimento para o interior do país e ilhas que, para já, ainda parecem estar fora do radar dos investidores. Pelo menos é o que dizem os números: apenas 3% dos quase mil vistos gold atribuídos já este ano foram para estas regiões.

Até setembro, de acordo com os dados cedidos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ao jornal ECO, foram concedidos 919 vistos gold, num montante total de 488.744.480,89 euros. Apenas 29 foram em regiões do interior e ilhas, nomeadamente em Marco de Canaveses (9), Vila Viçosa (8), Évora (4) e Cartaxo, Castelo Branco, Reguengos de Monsaraz, Tomar e Vila Nova da Barquinha (1 cada), Funchal (2), Ponta do Sol (1).

Feitas as contas, do universo de 932 imóveis comprados (correspondente a 919 vistos gold) – há investidores que compram mais que um imóvel para atingir o investimento mínimo necessário – 551 imóveis (59%) foram adquiridos em Lisboa. Depois surge o Porto, com 77 imóveis comprados (8,3%), Cascais com 69 (7,4%), Albufeira com 21 (2,25%) e Vila Nova de Gaia com 20 (2,15%).

Fim da medida poderá custar 700 milhões por ano à economia

Algumas vozes do setor já vieram manifestar-se e deixar alertas sobre as consequências que esta medida poderá trazer para o país. No entender de Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), o fim da atribuição de vistos dourados em Lisboa e Porto poderá ditar o fim de grande parte do investimento estrangeiro em Portugal, que irá ser canalizado para outros país.

De acordo com o responsável, um eventual fim do programa poderá mesmo custar poderá custar 700 milhões de euros por ano à economia portuguesa, tal como o idealista/news noticiou. Trata-se, segundo os promotores imobiliários, de “um erro estratégico com efeitos nefastos para a reputação do país cujas consequências não conseguimos antever ainda sequer”.