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Novo projeto imobiliário para o quarteirão da Confeitaria Nacional em Lisboa

Empresa Rottshire submeteu à Direção-Geral do Património Cultural um PIP para a instalação de um hotel no edifício pombalino.

Wikimedia commons
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Autor: Redação

Depois do quarteirão da antiga Pastelaria Suíça, no Rossio, há um novo projeto imobiliário lançado para a Baixa de Lisboa. A empresa Rottshire submeteu à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) um Pedido de Informação Prévia (PIP) para a instalação de um hotel no edifício pombalino que alberga duas lojas históricas, recentemente classificadas como imóveis de interesse público: a Ourivesaria Barbosa e Esteves, que está encerrada desde 2018, e a Confeitaria Nacional, que se mantém em funcionamento há 191 anos.

O projeto já tem uma aprovação condicionada da DGPC, sendo que a luz verde incide apenas sobre as alterações que poderão afetar os dois estabelecimentos classificados — e não para a totalidade do imóvel, segundo conta o Público, detalhando que também já foi submetido à Câmara de Lisboa o processo de licenciamento urbanístico.

Da análise do projeto, a DGPC conclui que a ourivesaria estará totalmente autonomizada do hotel. A Confeitaria Nacional conservará a sua autonomia, mas apenas ao nível do piso 0, para onde estão previstas algumas alterações como uma nova área com lugares sentados, sendo uma “extensão da sala de chá criada em 1920”. 

Em que consiste o novo projeto

De acordo com o projeto, que visa a transformação daquele prédio num hotel com 73 quartos, o piso superior da histórica Confeitaria deverá ser integrado na unidade turística, como sala de pequenos-almoços e restaurante. Por esclarecer fica se esta área estará aberta ao público em geral ou apenas a hóspedes. 

Da autoria do atelier de arquitetura Metrourbe, o projeto “procura uma renovação e atualização do edifício, integrando as duas lojas históricas” e, por isso, os trabalhos abrangerão a totalidade do imóvel pombalino, construído entre 1762 e 1769, tal como consta no processo submetido à DGPC consultado pela jornal e que incide apenas sobre os imóveis classificados.

Terá seis pisos, cave e subcave, e o promotor pretende demolir todo o interior a partir do piso 2, de modo a adaptar as habitações a quartos.

A recepção e o lobby de entrada do hotel ficarão voltados para a Praça da Figueira e estão previstas alterações no perímetro das lojas, nas áreas acessíveis a clientes e zonas de serviço. Essas transformações, que implicavam, numa primeira fase, o rasgo de uma das abóbadas pombalinas e a demolição de uma parede estrutural, mereceram parecer desfavorável do Património em agosto de 2019. 

Mudanças para conseguir luz verde

A então diretora-geral do Património, Paula Silva, justificava a decisão de não aprovação por entender que com as “transformações previstas para os espaços das duas lojas históricas”, concretamente “alterações arquitetónicas dos interiores e do património integrado”, se assistiria à “descaraterização do espírito do lugar”. 

Segundo conta o diário, a Rottshire fez, entretanto, alterações ao projeto prévio de arquitetura, que culminaram em setembro num parecer de aprovação ao Hotel da Betesga, mas condicionado à revisão de um conjunto de soluções arquitetónicas e à realização de trabalhos arqueológicos.

Na nova proposta, de acordo com o que escreve o jornal, os autores do projeto deslocaram o elevador de serviço do hotel para a zona de saguão, evitando assim o rasgo numa das abóbadas pombalinas. O projeto passou também a conservar a chaminé pombalina que existe na cozinha da confeitaria no piso 1, entre outros detalhes.

O prédio em que a Confeitaria está instalada desde 1829 foi um dos imóveis vendidos pela seguradora Fidelidade a empresas do grupo Apollo em 2018, ficando nas mãos da Fragrantstrategy e, diz o Público, que entretanto mudou de mãos para a Rottshire, empresa que ali quer erguer o novo hotel.