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Imobiliário continuará a ser “um excelente ativo de refúgio”

Pedro Rutkowski, CEO da Worx, perspetiva uma retoma gradual a partir do final de 2021 e início de 2022, a par da evolução da vacinação e da procura externa.

Photo by Oxy Design on Unsplash
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Autor: Redação

Apesar dos desafios da pandemia, o mercado imobiliário português tem-se demonstrado resiliente e deverá continuar a reunir as condições que o têm tornado tão atrativo para os investidores nacionais e internacionais, segundo o WMarket Review da Worx. Para o CEO da consultora, Pedro Rutkowski, num ambiente em que as taxas de juro registam níveis historicamente baixos, o imobiliário “continuará a ser visto como um excelente ativo de refúgio”, sendo esperado que o volume de investimento em imobiliário comercial se fixe em níveis semelhantes a 2020. Relativamente aos negócios deste ano, é “expectável” que se registem algumas operações de sale & leaseback “dada a óbvia necessidade de liquidez de algumas empresas”, ainda segundo as palavras do responsável.

Pedro Valente, Capital Markets da Worx, adianta ainda que “poderemos vir a assistir a uma maior compressão na yield dos ativos core, apesar dos setores da logística, build-to-rent (BTR), retalho alimentar e outros relacionados com a saúde prometerem ser os principais alvos dos investidores ao longo de 2021”. No geral, os investidores "mantêm-se cautelosos", pelo que se preveem mais atrasos na concretização de negócios, de acordo com o mesmo relatório.

Tendências para 2021

A pandemia continuará a acelerar algumas tendências, nomeadamente o “hot desking”, o teletrabalho (com aumento de nómadas digitais no país) e a transformação digital. No entanto, no longo prazo, WMarket Review, estima-se que se venha a atingir um equilíbrio entre o trabalho remoto e o presencial, com necessidade de um espaço colaborativo para desenvolver competências interpessoais e estimular a cultura organizacional da empresa.

“A reavaliação da necessidade de espaço por parte de algumas empresas originará um aumento da taxa de disponibilidade, resultando em subarrendamentos e novas áreas no mercado de escritórios, o que por sua vez levará a um maior tenant-mix nos edifícios”, explica Pedro Salema Garção, Head of Agency da consultora. Face a este contexto, tenderá a surgir uma maior flexibilidade contratual permitindo o ajuste às necessidades de espaço das empresas. O responsável reforça ainda que “a saúde e bem-estar dos colaboradores continuará a ser a principal prioridade, sendo que a nova oferta irá responder a estas necessidades (recorrendo a tecnologias touchless e a outras soluções relacionadas com sistemas de ventilação e aproveitamento energético, por exemplo), diferenciando-se ainda com os demais certificados ambientais”.

Já o setor do retalho irá registar “impactos distintos” dentro dos vários segmentos que o constituem, tendo em conta que o retalho alimentar continuará a destacar-se como o mais resiliente face ao retalho não alimentar. Entre os formatos do retalho, os centros comerciais virão a assistir a uma retoma gradual da atividade (prevista na segunda metade do ano), por via da vacinação e com o aproximar do fim do regime das rendas variáveis, segundo o estudo. Por outro lado, “os retail parks serão o formato de destaque, tirando proveito dos amplos espaços de estacionamento e lojas de grande dimensão, transmitindo uma sensação de segurança ao consumidor”.

No comércio de rua encontrar-se-ão alternativas criativas para estimular o volume de vendas. Na restauração, em particular, verificar-se-á o aumento de aberturas de “dark kitchens” (restaurantes virtuais), de esplanadas e espaços mais arejados. Alguns estabelecimentos nos grandes centros urbanos serão reconvertidos para outros usos, surgindo como oportunidade para a logística de lastime ou para o click & collect, ainda segundo a Worx.

“No setor logístico, a localização continuará a ser o principal requisito da procura, nomeadamente perto dos grandes centros urbanos e com espaços destinados ao lastmile delivery”, refere o departamento comercial da consultora. As cadeias de distribuição irão ajustar as operações com uma estratégia mais direcionada para o “nearshoring” e, com o acréscimo da procura aliada ao crescimento do e-commerce, haverá maior necessidade de espaços de grande dimensão, com projetos desenvolvidos à medida do cliente. Salienta-se também para o facto de que, “durante os próximos tempos, haverá uma maior evidência de contratos de pré-arrendamento associados a projetos de construção especulativa”.