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Taxas de juro negativas nos empréstimos da casa até 2030 - por causa da Covid-19

As Euribor, principal indexante dos contratos à habitação em Portugal, mantêm-se abaixo de zero desde 2015.

Gtres
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Autor: Redação

As taxas Euribor – as mais usadas em Portugal para efeitos de concessão de crédito à habitação – continuam em queda e em terreno negativo, um cenário que se deverá prolongar por mais alguns anos, até 2030, devido à crise pandémica da Covid-19. Esta é, pelo menos, a previsão de alguns dos intervenientes do setor financeiro. E é uma boa notícia para quem pediu dinheiro emprestado ao banco para comprar casa, já que a prestação continará a baixar – ou pelo menos não tenderá a aumentar.

“O que viamos como algo irracional deve ser visto como um dado estrutural”, disse Gonzalo Gortázar, CEO do banco espanhol CaixaBank, referindo-se às Euribor negativas. Citado pelo jornal online El Confidencial, o responsável, que falava numa conferência organizada pela KPMG e pelo Expansión, disse que estamos perante um cenário em que as taxas não voltarão a território positivo até 2031, ou seja, nos próximos 11 anos. 

Confirmando-se esta previsão, as Euribor, que em Portugal estão a negociar em terreno negativo desde 2015, ficarão abaixo de zero durante 15 anos. 

Uma opinião, de resto, partilhada por Miguel Cabrita, responsável do idealista/creditohabitação em Portugal: “A expetativa da Euribor se manter em terrenos negativos nos próximos anos é fundamentada pelas políticas adoptadas pelo Banco Central Europeu, não havendo previsão para uma alteração das mesmas nos próximos tempos”.

Segundo o mesmo responsável, “a quebra de receita na vertente de margem financeira dos bancos conduz a uma maior foco na vertente na minimização de custos e otimização operacional, criando condições para F&A’s, as quais devem proporcionar alcançar esses mesmos objetivos”.

O especialista crédito à habitação considera ainda que “a cada vez mais necessária aposta na digitalização conduzirá a um ajustamento dos modelos de negócios”, bem como “ao respetivo encerramento de agências bancárias, o que acompanhará a maior aptidão e recetividade dos clientes a essas alterações”.

Esta previsão até pode pecar por escassa, já que há banqueiros a apontar a data de inversão de ciclo – taxas Euribor passarem de terreno negativo para positivo – para o período entre 2030 e 2035. “Este é um dos desafios estruturais da banca, o outro é o investimento para digitalização”, considera também Jaime Guardiola, CEO do banco espanhol Sabadell, citado também pelo jornal espanhol.

Por sua vez, José Sevilla, CEO do Bankia, reiterou uma ideia já deixada anteriormente, a de que gosta que haja “taxas baixas, mas não negativas”.