Murais destruídos, infiltrações e pedras em falta evidenciam o incumprimento do grupo Sana na reabilitação do Quartel da Graça.
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Quartel da Graça
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Lisboa continua a assistir à degradação do Quartel da Graça, edifício histórico que o grupo hoteleiro Sana ficou com a concessão para transformar em hotel de cinco estrelas há seis anos. Apesar do contrato assinado em 2019 prever a conclusão das obras e início da exploração turística até dezembro de 2023, o projeto nunca avançou, deixando o imóvel fechado ao público e em crescente estado de degradação. Várias cláusulas do contrato estão em incumprimento, incluindo prazos para conclusão das obras, manutenção do edifício e apresentação de planos de exploração turística.

Segundo o Público, "o edifício continua vedado, com murais de azulejo destruídos, telhas e janelas partidas, infiltrações, paredes grafitadas e detalhes arquitetónicos danificados", lê-se na publicação. O grupo Sana justificou ao jornal a sua posição afirmando que se tratam de "matérias contratuais e de natureza institucional em acompanhamento", sem negar o incumprimento.

O contrato prevê ainda sanções, que incluem uma multa diária de mil euros por atraso, que já ultrapassaria os 750 mil euros, e a possibilidade de resolução do contrato, com recuperação do imóvel para o Estado em caso de "deficiências graves no estado geral das instalações e equipamentos". Contudo, o Ministério das Finanças não esclareceu se pretende aplicar estas medidas nem qual será o impacto financeiro do abandono do imóvel.

O projeto de arquitetura final só foi aprovado em julho de 2024, após atrasos significativos, prevendo a ampliação do edifício, quatro pisos acima do solo, três subterrâneos para estacionamento e 262 camas. Apesar disso, as obras não foram iniciadas, gerando descontentamento entre moradores da Graça. Mariana Soares, da Assembleia da Graça – Parar o Hotel no Quartel, afirma: "Grupo hoteleiro que ficou com Quartel da Graça há seis anos falha contrato e deixa-o ao abandono. "A população que está "farta" da turistificação de uma cidade que já está "completamente descaracterizada", seja na Graça ou noutros bairros".

A população local tem reagido com protestos e campanhas de sensibilização, incluindo uma petição pública que já reuniu 2.861 assinaturas, sob o lema "Menos turismo, mais bairro". José Baptista, residente da Graça, resume a frustração do bairro: "Quando voltei, a Graça já estava depenada de significantes comunitários. Muitos prédios negligenciados transformam-se em bares ou cafés de luxo, e há cada vez menos pessoas que se identifiquem com este território".

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