Petição "Parar o Hotel no Quartel da Graça" com mais de 1.500 assinaturas

Em causa está a revogação da concessão ao grupo Sana para a construção de uma unidade hoteleira no antigo Convento da Graça, em Lisboa.
Quartel da Graça
Quartel da Graça, em Lisboa Imagem retirada do site Programa Revive
Lusa
Lusa

Mais de mil pessoas já assinaram a petição “Parar o Hotel do Quartel da Graça”, que pede a imediata revogação da concessão ao grupo Sana para a construção de uma unidade hoteleira no antigo Convento da Graça, em Lisboa.

Os peticionários querem impedir a construção de um hotel de luxo no centro histórico da capital e colocar o espaço, que é propriedade pública, ao serviço do bairro e da cidade.

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Promovida pela Assembleia "Parar o Hotel no Quartel da Graça", um movimento independente constituído essencialmente por moradores do bairro lisboeta, a petição pode ser consultada neste endereço.

Em comunicado, a Assembleia refere que no domingo foi enviada uma carta aberta a todos os partidos e candidatos às eleições autárquicas de outubro, pedindo um posicionamento político sobre a questão do Quartel da Graça.

Quartel da Graça é monumento nacional desde 1910

Classificado como monumento nacional desde 1910, o Quartel da Graça constava da lista de imóveis históricos a reabilitar no âmbito do programa Revive, apresentada em julho de 2019 pelo então Governo do PS.

Três meses depois, em outubro de 2019, o executivo anunciou que a concessão do Quartel da Graça seria entregue ao grupo Sana, por um período de 50 anos, para a instalação de um hotel de cinco estrelas, correspondendo a uma renda anual de 1,79 milhões de euros.

O investimento estimado para a instalação do hotel, com 120 quartos, foi de 30 milhões de euros, com abertura prevista para o final de 2022. Contudo, as obras nunca chegaram a arrancar e o quartel encontra-se devoluto há vários anos e em rápida deterioração, com visíveis sinais de abandono, denuncia o grupo Assembleia da Graça.

“Em vez de um hotel destinado a engrossar os lucros de um grupo privado, queremos colocar o antigo quartel ao serviço das necessidades reais da população do bairro e da cidade, prosseguindo fins habitacionais, educativos, culturais e artísticos, com serviços de assistência e infraestruturas ligadas ao bem-estar das pessoas e à qualidade de vida urbana”, lê-se na petição.

Os peticionários lembram que o bairro da Graça “é dos poucos bairros históricos que ainda resiste ao processo de gentrificação da cidade”, alicerçado nas suas escolas e “no forte enraizamento dos seus moradores e das suas vivencias”.

“Mas, com cada vez mais casas ocupadas pelo Alojamento Local, com o comércio tradicional transformado em bares, e lojas de ‘souvenir’ e com todo o tipo de viaturas destinadas a transportar turistas a circular pelo bairro, a construção de um hotel com 120 camas poderá ser o golpe fatal. Vale a pena lembrar que, no mesmo bairro, o Convento das Mónicas também dará lugar a um hotel com 128 camas”, denunciam.

Peticionários não querem "assistir à destruição de mais um bairro lisboeta"

Desta forma, os peticionários exigem que o Estado “revogue a concessão desde já, para defender o monumento nacional da degradação e abandono e para garantir que serve efetivamente à população de Lisboa”.

“Não estamos dispostos a assistir de braços cruzados à destruição de mais um bairro lisboeta. Reivindicamos o direito à cidade em que vivemos, o que significa que queremos também decidir sobre a utilização dos espaços públicos dos nossos bairros e da nossa cidade”, referem.

Até esta terça-feira (16 de setembro de 2025) já assinaram a petição mais de 1.500 pessoas, que defendem que o monumento nacional “esteja ao serviço do bairro e da cidade e não que seja transformado num hotel que vem agravar o processo de turistificação do bairro”.

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