Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Construção: Ajuda do FMI a Angola vai ajudar a pagar salários em atraso

Wikimedia commons
Wikimedia commons
Autor: Redação

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal (SCP), Albano Ribeiro, disse que o embaixador de Angola em Lisboa prometeu dar “prioridade” ao setor quando o país receber ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI). “O embaixador disse-nos que vai fazer todos os esforços para que no próximo semestre possa haver, através das verbas do FMI, uma atenção especial a este problema. Quanto mais depressa chegar o dinheiro, mais depressa o problema pode ser resolvido”, revelou o responsável, após um encontro com o embaixador de Angola em Portugal, Marcos Barrica.

Nas declarações aos jornalistas em Lisboa, Albino Ribeiro vincou que Marcos Barrica adiantou que “estão a procurar resolver esta parte do problema, que é a falta de divisas, e que vão dar uma grande atenção ao setor da construção, porque há obras paradas e o setor é muito importante para Angola”.  

Segundo o sindicalista, “só cerca de 10% [dos 110 mil trabalhadores do setor em Angola] tem os salários em dia, os restantes têm um, dois, três, quatro ou cinco meses de atraso, o que leva a situações dramáticas do ponto de vista humano”, contou, citado pela Lusa.

Só os cerca de 400 trabalhadores da Soares da Costa em Angola têm três milhões de euros em salários em atraso, e a estratégia desta e de outras empresas tem sido direcionar os colaboradores para outras geografias, em vez de os trazer para Portugal. “Já regressaram milhares, e regressariam muitos mais se as empresas, e bem, não direcionassem para outros países como a Bolívia, Nova Zelândia e Zâmbia, senão vinham para Portugal e faziam o desemprego aumentar”, frisou o líder do SCP.

O setor da construção em Angola está a passar por uma crise motivada pela descida do preço do petróleo e consequente quebra nas receitas do Estado, o que originou um conjunto de medidas de austeridade, entre as quais a suspensão ou anulação de diversos investimentos públicos, nomeadamente na área da construção.

O FMI anunciou entretanto que ia começar a negociar um Programa de Financiamento Ampliado com as autoridades angolanas para fornecer ajuda técnica e financeira para aprofundar a diversificação da economia e torná-la menos dependente do petróleo.