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Prestes a fazer 100 anos, a última vida da Soares da Costa depende da banca nacional e angolana

Autor: Redação

A construtora Soares da Costa é como um gato, com sete vidas que lhe têm permitido resistir a vários e continuados sobressaltos. Na terça-feira passada, a construtora sacou o último trunfo e decidiu avançar com um Processo Especial de Revitalização (PER), para tentar viabilizar um plano de recuperação, indispensável à sua sobrevivência. Isto significa que a empresa com quase 100 anos de história depende da agora "boa vontade" dos credores, que são sobretudo bancos portugueses e angolanos e terão de perdoar uma dívida de 200 milhões de euros.

A entrega do PER no Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, foi confirmada à Lusa por Joaquim Fitas, presidente executivo da construtora. O gestor argumentou que “este é o caminho que melhor acautela os interesses dos trabalhadores, dos accionistas, dos clientes e dos fornecedores e por isso, [feito] em profunda articulação com os principais credores”.

Detida em 66% pelo empresário angolano António Mosquito, a construtora enfrenta há vários anos uma profunda crise financeira, com forte queda da carteira de obras, despedimentos e centenas de trabalhadores com salários em atraso. 

Perdão de dívida

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BCP lideram os credores bancários nacionais, e nas várias instituições angolanas destaca-se o Banco de Fomento de Angola (BFA), detido maioritariamente pelo BPI (e que tem como sócio a Unitel, dominada por Isabel dos Santos), segundo conta por o Público.

A holding do grupo (SdC SGPS), a Clear, a unidade especializada em instalações electromecânicas com operações em Angola e Moçambique, e a SdC Serviços Partilhados vão imitar a construtora e acionar o PER, diz por sua vez o Expresso, dando nota de que a SdC representa 80% da dívida total do grupo que supera, entre banca e fornecedores, os 700 milhões de euros.

A expetativa da administração da SdC é que os credores abatam mais de metade da dívida e aceitem uma nova maturidade dos financiamentos, aliviando o fardo financeiro e ajudando a viabilizar a empresa. Nesse cenário, a banca terá de perdoar pelo menos 200 milhões de euros.

Sindicatos pouco optimistas

A primeira reação das estruturas sindicais é negativa. Em nota à imprensa, o Sindicato da Construção de Portugal refere que 80% das empresas do setor da construção que recorreram a um PER não tiveram sucesso”, considerando que “é a mesma coisa que estar ligado a uma máquina de cuidados intensivos”.