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"Falta de mão de obra e burocracia são as maiores limitações à construção"

Carlos Garcia, administrador da Garcia Garcia
Carlos Garcia, administrador da Garcia Garcia
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

A dificuldade crescente em encontrar mão de obra - qualificada e até não qualificada - é na opinião de Carlos Garcia, administrador da Garcia Garcia, um severo e mesmo o principal obstáculo para a indústria da construção civil. Em entrevista ao idealista/news, o empresário - que com o irmão Miguel lidera a quarta geração da família à frente da construtora - avisa também que, por outro lado, os elevados tempos de resposta dos organismos públicos não se coadunam com os timings dos projetos. 

Nos últimos anos o nome da Garcia Garcia surgiu com grande destaque no mercado. Mas, na verdade, a empresa tem já um longo percurso...

A Garcia Garcia é uma empresa com uma longa história e com tradição ao nível da construção, sendo que sempre trabalhamos para que o nosso nome fosse um sinónimo de confiança, solidez e qualidade. Acreditámos em acrescentar valor em tudo o que fazemos, estabelecendo relações de verdadeira parceria com os nossos clientes. Esta sempre foi a nossa estratégia, posicionamento e forma de estar.  

Garcia Garcia
Garcia Garcia

Quais os fatores que têm a ajudado a ser reconhecidos pelo mercado, nomeadamente alguns dos prémios recebidos? 

O reconhecimento do setor estará eventualmente relacionado com o crescimento da empresa, com os projetos de grande dimensão em que estivemos envolvidos e com o facto de termos crescido durante o período de contração do mercado. Com esses fatores veio uma natural maior visibilidade, o que facilitou o reconhecimento da empresa ao nível da construção de qualidade.  

Em função do nosso know-how e competência, assim como do reconhecimento do mercado, conseguimos captar e desenvolver vários projetos de Design & Build que sustentaram mais um ano de grande crescimento. A dinâmica do setor residencial também nos permitiu abraçar alguns projetos interessantes a este nível.  

Estes fatores explicam também que a Garcia Garcia tenha atingido um crescimento de 34%, em 2018?  

Durante toda a história da família Garcia, desde o fim do século XIX e até aos dias de hoje, sempre estivemos ligados à indústria e à construção industrial. A empresa foi evoluindo, tendo passado por diferentes fases e momentos. Contudo, sempre tivemos um denominador comum, que foi o nosso 'core business'. Como tal, é com naturalidade que projetos industriais e logísticos assumam um maior peso no nosso volume de negócios.  

O ano de 2018 foi positivo para a economia e para o investimento privado, em parte até justificado pelos incentivos dirigidos às empresas no âmbito do Portugal 2020, com reflexos na aposta em novos ativos por parte das indústrias nacionais. Por outro lado, Portugal conseguiu captar investimento direto estrangeiro, com a entrada de novas empresas industriais.  

Garcia Garcia
Garcia Garcia

O crescimento deve-se, sobretudo, à concentração atividade no setor industrial e logístico?  

Em função do nosso know-how e competência, assim como do reconhecimento do mercado, conseguimos captar e desenvolver vários projetos de Design & Build que sustentaram mais um ano de grande crescimento. Paralelamente, a dinâmica do setor residencial também nos permitiu abraçar alguns projetos interessantes a este nível.  

Que outros segmentos do mercado imobiliário podem em breve ser uma aposta no mercado nacional?  

Com o investimento público em níveis baixos, será provável que seja o mercado privado a ditar as tendências. Mais do que apostas em segmentos específicos, sentimos que os clientes estão mais conscientes e atentos para questões que anteriormente não eram muito relevadas. Problemáticas como a economia circular, a eficiência energética, a minimização da pegada ambiental, a diminuição dos custos de operação e a promoção da segurança das instalações (ativa e passiva), devem começar a estar no topo das prioridades.  

Na cidade do Porto temos, atualmente, em curso um projeto de Design & Build de residências universitárias e três blocos habitacionais de grande dimensão. Para além disso, noutras cidades estamos a construir projetos semelhantes. Este é um mercado em que queremos continuar.

No desenvolvimento dos nossos projetos, estamos já a incorporar soluções dirigidas para a sustentabilidade e que minimizem impactos. 

Para a Garcia, este será um futuro imediato. Como tal, temos feito uma aposta cada vez maior na capacitação da empresa para responder a estes desafios. No desenvolvimento dos nossos projetos, estamos já a incorporar soluções dirigidas para a sustentabilidade e que minimizem impactos.  

No Porto, a empresa está a construir projetos de habitação e residências universitárias. A diversificação passa pela aposta na construção de habitação nova?  

Na cidade do Porto temos, atualmente, em curso um projeto de Design & Build de residências universitárias e três blocos habitacionais de grande dimensão. Para além disso, noutras cidades estamos a construir projetos semelhantes. Este é um mercado em que queremos continuar. Temos 'track record' neste tipo de projetos e soluções que nos permitem diferenciar positivamente, nomeadamente ao nível do tempo global de execução inferior à média do sector.  

Como carateriza a situação do mercado da construção civil atualmente?  

Globalmente, o setor da construção tem vindo a atravessar uma fase de crescimento. Contudo, só com a evolução da economia e do investimento público é que se poderá aferir se a tendência se manterá.  

Garcia Garcia
Garcia Garcia

Mas continua a haver uma forte concorrência? 

O setor da construção foi muito castigado pela crise. Esta teve o efeito de selecionar os players e concorrentes que atualmente competem. Globalmente, consideramos que há uma concorrência salutar. Mas como em todos os mercados, e a construção não é diferente, há exceções à regra.  

A internacionalização tem desafios e riscos. Só quando sentimos que a empresa estava num estágio de preparação elevado é que decidimos entrar de forma cirúrgica em novas geografias. E os resultados obtidos até agora têm-nos incentivado a manter a estratégia e a aposta.  

Quais são as maiores limitações à atividade? 

Em termos de limitações à atividade, destacamos os processos administrativos e burocráticos das entidades responsáveis pelos diferentes processos de licenciamento. Os tempos de respostas elevados destes organismos não se coadunam com os timings dos projetos, sendo um problema antigo e que não tem tido grandes evoluções. Contudo, o principal problema que atualmente o setor enfrenta é a mão de obra. A dificuldade crescente em encontrar mão de obra, qualificada e até não qualificada, tem sido um severo obstáculo para a indústria da construção civil.  

A diversificação da atividade para os mercados externos apresenta muitos desafios. Como é que a Garcia Garcia encara este desafio?  

A internacionalização tem desafios e riscos. Consciente disto, a nossa estratégia para os mercados externos tem sido feita com passos sustentados e estruturados. Investimos na capacitação dos nossos quadros, na agilidade organizacional e no desenvolvimento de uma estrutura flexível e versátil. Só quando sentimos que a empresa estava num estágio de preparação elevado é que decidimos entrar de forma cirúrgica em novas geografias. E os resultados obtidos até agora têm-nos incentivado a manter a estratégia e a aposta.  

Acima de tudo, acreditamos que não há melhor publicidade que a referência de clientes passados. É com agrado que vemos que alguns clientes internacionais nos recomendam a outras empresas que pensam investir também em Portugal.  

Metade dos clientes da Garcia Garcia é estrangeira. É um fator que apresenta vantagens?  

A Garcia trabalha com todo o tipo de clientes, nacionais ou internacionais, grandes ou pequenos. Mas trabalhar com clientes internacionais, com diferentes culturas e formas de trabalhar, permite-nos a nós próprios crescer, quer pelo nível de exigência que nos colocam, quer pela aprendizagem que retiramos das suas formas de gerir ou trabalhar.  

Garcia Garcia
Garcia Garcia

Acima de tudo, acreditamos que não há melhor publicidade que a referência de clientes passados.

É muito gratificante trabalhar com empresas que têm experiência em fazer projetos em inúmeros países e que reconhecem a nossa qualidade, quer através do 'feedback' muito positivo que recebemos ou, inclusivamente, através da manifestação de interesse em contar o nosso know-how e experiência em projetos futuros e em outros países. Acima de tudo, acreditamos que não há melhor publicidade que a referência de clientes passados. E é com agrado que vemos que alguns clientes internacionais nos recomendam a outras empresas que pensam investir também em Portugal.