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Construtora portuguesa BPC “escapa” à derrocada do grupo brasileiro Odebrecht

Sede da Odebrecht em São Paulo, Brasil / Edilson Dantas via O Globo
Sede da Odebrecht em São Paulo, Brasil / Edilson Dantas via O Globo
Autor: Redação

O grupo Odebrecht, que chegou a ser o maior empreiteiro do Brasil, entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo que visa reestruturar 51 mil milhões de reais (11,6 mil milhões de euros). Um processo que deixa de fora, entre outras, a Odebrecht Engenharia (OEC), de que faz parte a portuguesa Bento Pedroso Construções (BPC), empresa que o grupo adquiriu em 1988 e que foi responsável por obras como a Ponte Vasco da Gama, a Gare do Oriente e a barragem do Alqueva.

“A OEC encontra-se em distinta situação operacional e financeira, assim não existem repercussões para a BPC”, disse fonte oficial da construtura sediada no Lagoas Park, em Oeiras, Lisboa, ao Jornal de Negócios.

A mesma responsável adiantou que “a OEC já adicionou mais de mil milhões de dólares de ‘backlog’ [carteira de encomendas] em diversos países, como Brasil, Panamá e EUA, tanto para clientes públicos como privados, após a operação Lava Jato”. E mais: garantiu que a dona da BPC “continua a participar ativamente no mercado de infraestruturas nas geografias onde atua, com diversos projetos em fase de estudo e propostas entregues, aguardando os resultados”.

Segundo a mesma fonte, a OEC tem adotado várias “medidas para adequar a sua estrutura corporativa à atual dimensão das suas operações”, isto “preservando a sua capacidade operacional de engenharia”. 

O universo Odebrecht à lupa

A recuperação judicial da Odebrecht, um grupo que atua em ramos como a construção, engenharia, energia e química, envolve 21 empresas, incluindo a ‘holding’ ODB e a Kieppe, que congrega a participação da família Odebrecht. Além da OEC, a OR (incorporação imobiliária), a Enseada (estaleiro), a Ocyan (petróleo), a Odebrecht Transport (infraestrutura) e a Braskem (petroquímica) também não estão incluídas neste processo. O mesmo acontece com a Atvos Agroindustrial SA, que já se encontra em recuperação judicial, com a Odebrecht Corretora de Seguros, com a Odebrecht Previdência e com a Fundação Odebrecht, escreve a publicação.

“Frente ao vencimento de diversas dívidas, da ocorrência de factos imprevisíveis e dos recentes ataques aos ativos das empresas, a administração da Odebrecht, com autorização do acionista controlador, concluiu que a recuperação judicial se tornou a medida mais adequada para possibilitar a conclusão com sucesso do processo de reestruturação financeira de forma coordenada, segura, transparente e organizada, permitindo, desta forma, a continuidade das empresas e da sua função social”, revelou e empresa em comunicado.

De referir que o grupo Odebrecht emprega atualmente cerca de 48 mil pessoas, sendo que já chegou a empregar aproximadamente 180 mil trabalhadores.