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Reabilitação do antigo Hospital do Desterro em risco devido à pandemia da Covid-19

A Mainside, responsável pelo projeto, diz enfrentar dificuldades por causa da pandemia, e acusa a Estamo (dona do imóvel) de recusar uma suspensão temporária das rendas.

Foto: Por Ivendrell – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0
Foto: Por Ivendrell – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0
Autor: Redação

As obras no antigo Hospital do Desterro, em Lisboa, estão novamente paradas. A empresa responsável pela reabilitação do edifício, a Mainside, diz estar a enfrentar dificuldades decorrentes da crise provocada pela Covid-19, e acusa a Estamo, empresa imobiliária do Estado, proprietária do edifício, de negar a possibilidade de negociação contratual em “contexto desastroso de pandemia”. A empresa pediu uma suspensão das rendas, mas ao que tudo indica a Estamo terá recusado.

Em comunicado, o Grupo Mainside, responsável por projetos como a Lx Factory ou Pensão Amor, revela que “enfrenta a inevitabilidade de abandonar a reabilitação do Hospital do Desterro” após ver recusado um pedido apresentado junto da Estamo para a renegociação de contrato, tendo em conta as dificuldades provocadas pela pandemia. A Mainside garante ter pedido “uma suspensão temporária do pagamento da renda mensal do espaço”, mas que a resposta foi negativa, segundo o Público.

“A entidade pública nega que a pandemia de Covid-19 possa ser enquadrada no conceito de alteração anormal das circunstâncias e convida o grupo a rescindir o contrato, abandonando um investimento total estimado em 5 milhões de euros”, explica ainda a Mainside, no documento. Segundo declarações da empresa à mesma publicação, “as obras encontram-se em acabamentos gerais” sendo previsível que o espaço abrisse “no final deste ano”.

A reabilitação do antIgo hospital e convento, desativado progressivamente a partir de 2006, e marcado por constantes atrasos, prevê a transformação do imóvel num espaço polivalente com alojamento, zonas para trabalho e eventos culturais, mas volta agora a estar em risco.  No mesmo comunicado, a Mainside acusa ainda a imobiliária do Estado de “desresponsabilização completa”, ao não procurar “soluções ajustadas aos condicionamentos brutais provocados pela pandemia e por ignorar a necessidade imperativa de desenvolvimento da economia e criação de emprego”.