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Gigante chinesa da construção vai controlar mais de 30% da Mota Engil

A construtora portuguesa revelou que está na fase final das negociações de um acordo de parceria estratégica com a quarta maior construtora do mundo, a chinesa CCCC.

Photo by chuttersnap on Unsplash
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Autor: Redação

A construtora portuguesa Mota-Engil revelou que está na fase final das negociações de um acordo de parceria estratégica e investimento com "um dos maiores grupos de infraestruturas do mundo (top 5), com uma atividade significativa a nível mundial", que se irá tornar "um acionista relevante e um parceiro de longo prazo". A nova acionista será a gigante CCCC - China Communication Construction Corporation, empresa com a qual tem uma parceria estratégica desde 2019, e que ficará com 30% do capital numa operação realizada a um valor “muito acima do preço atual de mercado”.

“A Mota Gestão e participações (MGP), acionista dominante da Mota-Engil, aceitou vender uma participação relevante no capital social da sociedade“, diz a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Vai vender uma “participação ligeiramente superior a 30%” a um dos “maiores grupos de infraestruturas do mundo”, refere, sem nunca identificar a empresa. Ainda assim, e segundo a informação avançada pelo Jornal de Negócios, o negócio estará mesmo a ser feito com a quarta maior construtora do mundo, a chinesa CCCC.

O acordo, “se concluído com sucesso, o que se espera que ocorra em breve”, refere a Mota-Engil, prevê que a CCCC subscreva “uma participação relevante num aumento de capital social de até 100 milhões de novas ações que será submetido brevemente a deliberação em Assembleia Geral”. Depois do aumento de capital, lê-se ainda no documento, “o novo acionista atingirá uma participação ligeiramente superior a 30%”, enquanto a “MGP ficará com uma participação de cerca de 40% do capital social da Mota-Engil, sinal de total empenho e alinhamento com a sua posição histórica no grupo”.

A posição, será adquirida “a um preço que reflete uma valorização que está muito acima do preço atual de mercado”, diz a Mota-Engil, frisando que a operação “se baseia na avaliação do grupo de cerca de 750 milhões de euros”.

Mota-Engil com prejuízo de 5 milhões no primeiro semestre

A construtora portuguesa fechou a primeira metade deste ano com um prejuízo de 5,04 milhões de euros, valor que compara com 8,13 milhões de euros de euros no período homólogo, de acordo com um comunicado do grupo enviado à CMVM.

No documento, a Mota-Engil informa que “a atividade do grupo no primeiro semestre de 2020 não ficou alheia aos impactos provocados pela pandemia, tendo essencialmente o negócio de Engenharia e Construção (E&C) sido o mais atingido fruto das interrupções/paragens de produção, ora provocadas pelas medidas restritivas de saúde pública implementadas nos diversos países onde o grupo opera, ora provocadas pelas dificuldades logísticas em movimentar pessoas, equipamentos e mercadorias”.

Nos primeiros seis meses do ano, o volume de negócios do grupo de origem lusa e com forte presença internacional caiu 14% para os 1,2 mil milhões de euros, sendo o impacto da Covid-19 contabilizado em 280 milhões de euros.