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Mota-Engil em aliança com a parceira chinesa para a sua maior obra de sempre

Construção de ponte na Nigéria, no valor de 2.250 milhões de dólares, mais do que duplica o maior projeto da história do grupo português.

Photo by Shane McLendon on Unsplash
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Autor: Redação

A Mota-Engil foi pré-qualificada num concurso na Nigéria, no valor de 2.250 milhões de dólares (cerca de 1.900 milhões de euros), em consórcio com a CCCC - China Communication Construction Corporation, empresa com a qual tem uma parceria estratégica desde 2019. Em causa está a construção da quarta ponte de Lagos, a maior cidade do país, em regime de parceria público-privada (PPP), num montante que mais do que duplica o maior projeto da história do grupo português, o corredor de Nacala, que exigiu 1.000 milhões de dólares (cerca de 840 milhões de euros ao câmbio atual), desenvolvido entre os anos de 2012 e 2014.

O Negócios, com base num anúncio publicado na imprensa nigeriana na semana passada, revela que o agrupamento da Mota-Engil é um dos seis pré-qualificados do projeto, que recebeu 32 manifestações de interesse, depois de terem selecionados inicialmente 10 consórcios, pelas autoridades locais. 

Dos seis agrupamentos selecionados - considerados com capacidade técnica e financeira para o projeto, que passam assim para a fase de apresentação de propostas - só um não integra grupos chineses, sendo composto por empresas turcas. Fora da corrida ficaram a espanhola Ingenieros Consultores e o grupo alemão Julius Berger.

O governo de Lagos, de acordo com a mesma notícia, diz que anunciará oportunamente os selecionados para a próxima etapa, sendo que o objetivo das autoridades nigerianas é que os trabalhos para a construção desta travessia rodoviária, com uma extensão de 38 quilómetros, comecem no primeiro trimestre do próximo ano. O projeto, proposto ainda em 2006, visa ligar a ilha de Lagos e o continente e reduzir os congestionamentos de tráfego.

O peso da Nigéria para a Mota Engil e para a CCCC

Na Nigéria, a Mota-Engil tem expectativas de negócio face a relevantes concursos de PPP que estão previstos em diferentes áreas de negócio, como a concessão dos principais aeroportos e portos do país, aponta o diário, indicando que, nesse sentido, o grupo criou ainda na segunda metade de 2018 uma 'joint venture' com a empresa local Shoreline, do empresário Kola Karim, – a Mota-Engil Nigeria Limited, que tem estado desde então a acompanhar esses projetos.

Por seu lado, a CCCC está presente na Nigéria desde a década de 90, tendo o seu mais recente investimento naquele país sido a aquisição de uma posição maioritária no maior porto de águas profundas (Lekki), um investimento de mil milhões de dólares para o qual obteve o apoio do China Development Bank, que financiou 629 milhões de dólares. O grupo chinês começou neste projeto por ser o construtor, tomando mais tarde a posição como maior acionista da infraestrutura.

Em julho, segundo conta ainda o Negócios, as autoridades nigerianas anunciaram a constituição da Empresa Nacional para o Desenvolvimento de Infraestruturas, que terá 32 mil milhões de euros para construir infraestruturas críticas para o desenvolvimento daquela que é hoje a maior economia africana. A ideia será que esta empresa pública - que tem gestão profissional independente e é apoiada pelo Banco Central da Nigéria, o Africa Finance Corporation (AFC) e o Nigeria Sovereign Investment Authority (NSIA) - concretize o financiamento, a nível local e internacional, em três anos.