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Novo Banco falhou na análise de risco de empresas do setor da construção, conclui Deloitte

Valor das perdas está estimado em 271,7 milhões de euros.

Autor: Redação

A consultora Deloitte identificou falhas na análise de risco do BES e do Novo Banco em relação a planos de negócio e garantias apresentadas por devedores do setor da construção, entre 2012 e 2018, num valor de perdas estimadas de 271,7 milhões de euros no final de 2018.

Em causa estão, segundo o relatório da auditoria especial levada a cabo pela Deloitte, algumas empresas do setor da construção que “começaram a atravessar dificuldades mais visíveis a partir de 2012”, tendo “o BES/Novo Banco tomando decisões em diversos processos de reestruturação ocorridos entre 2012 e 2018”. Decisões essas que “envolveram outros bancos nacionais, no sentido de manter o apoio a estas empresas, que por vezes envolveram ‘new money’ e a prestação de garantias bancárias para realização de obras”, lê-se no documento, citado pelo Dinheiro Vivo.

Segundo o relatório, “estas reestruturações foram assegurando a continuidade dessas empresas, criando condições para que continuassem a operar e a executar obras, em alguns casos explorando novos mercados em virtude da estagnação verificada no mercado em Portugal a partir do início dessa década”. 

O documento vai mais longe nas criticas, salientando que, em alguns casos, as reestruturações “eram baseadas em planos de negócio elaborados por consultores externos, apresentados pelos clientes, os quais pressupunham normalmente crescimento significativo de atividade em outras geografias, tais como África, Médio Oriente e América do Sul”.

“(...) No âmbito do nosso trabalho não nos foi disponibilizada evidência de o BES/Novo Banco ter efetuado uma análise crítica à razoabilidade e exequibilidade dessas projeções/planos de negócio, bem como à suficiência dessas análises de sensibilidade, numa perspetiva de risco”, aponta a Deloitte. 

Nestes casos, “a estratégia das empresas não foi bem sucedida e as empresas acabaram por entrar em insolvência, obrigando, em alguns casos, o Novo Banco a honrar garantias bancárias de boa execução que tinham sido prestadas pelo BES e pelo Novo Banco para obras em curso e originando perdas associadas a exposição patrimonial”, conclui a Deloitte.