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Estatuto de património da humanidade do Douro em risco com construção de hotel em Mesão Frio

Alerta é dado pela Comissão Nacional da Unesco. Projeto para construir uma unidade hoteleira com 180 quartos foi retomado pelo empresário Mário Ferreira.

Imagem de christinak93 por Pixabay
Imagem de christinak93 por Pixabay
Autor: Redação

A aprovação da construção de um hotel de cinco estrelas no lugar da Rede, concelho de Mesão Frio – um projeto antigo retomado pelo empresário Mário Ferreira –, abre “caminho para uma futura exclusão da lista de património mundial” do Douro vinhateiro. O alerta é dado pela Comissão Nacional da Unesco (CNU), sendo que o projeto está em consulta pública até dia 29 de janeiro de 2021. 

Em causa está o licenciamento e respetiva construção de um hotel com 180 quartos, um projeto que, segundo o parecer técnico do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), é “fora de escala e significativamente dissonante com a paisagem do Alto Douro Vinhateiro”. 

De acordo com o Público, o ICOMOS é uma organização não-governamental, com sede em Paris, ligada à Unesco, que estabelece os critérios para a conservação e proteção de locais e bens classificados como património cultural da humanidade. O guia de avaliação de impactos formulado por este organismo, a que a publicação teve acesso, refere que a construção do Douro Marina Hotel terá impactos negativos, diretos, indirectos, certos, permanentes, irreversíveis, de magnitude elevada e não minimizáveis.

“A intervenção proposta afeta directamente os critérios que serviram de base à conscrição do bem na lista, [pelo que] recomendo que o Estado Parte não conceda a licença ao empreendimento. Também se insta que o Estado Parte se restrinja às recomendações apresentadas na revisão técnica do ICOMOS no que respeita aos projetos futuros”, refere o embaixador José Moraes Cabral, que preside à CNU, ao dar seguimento ao relatório técnico elaborado pelos especialistas que dão assessoria às decisões da Unesco.