Estado vai financiar requalificação de 451 escolas a 100%

Rede de escolas que precisam de obras vai ficar completamente reabilitada com investimento na ordem dos 2.000 milhões de euros.
Obras nas escolas
Foto de George Pak no Pexels
Lusa
Lusa

Um ano depois do compromisso para a descentralização da educação e da saúde, municípios e Governo assinam nos próximos dias um acordo para o Estado financiar a 100% a reabilitação de 451 das escolas que passaram para as Câmaras.

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Luísa Salgueiro, considerou que “é notória a alteração que houve na relação entre o Governo e os municípios, no que diz respeito ao financiamento e aos recursos a atribuir às câmaras municipais” no âmbito da educação, desde o acordo celebrado em 22 de julho de 2022.

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No documento, o Governo comprometeu-se a financiar a reabilitação de uma lista de 451 escolas que precisam de obras e distribuídas por três níveis: prioritário, urgente e muito urgente.

“O que nós agora, ao completar um ano, vamos assinar dentro de dias é o acordo que prevê e garante o financiamento a 100% por parte do Governo da reabilitação profunda em todas essas escolas, [num investimento] na ordem dos 2.000 milhões de euros”, disse Luísa Salgueiro.

“O país ficará com uma rede de estabelecimentos de educação completamente reabilitados e isso virá por financiamento já do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], com 450 milhões de euros, ainda de algumas verbas do Portugal 2020 nesta fase de transição, 100 milhões de euros do Portugal 2030 e o restante através de empréstimos que o Governo encontrará junto do Banco Europeu de Investimento”, acrescentou.

O acordo entre o Governo e os municípios, a que a agência Lusa teve acesso, prevê 32 intervenções consideradas muito urgentes, 104 urgentes e 315 prioritárias.

O programa terá um período de 10 anos a contar de 2024 e prevê ainda que cerca de uma dúzia de outras escolas que não constam da lista, mas também estão a precisar de intervenções de fundo, possam ser alvo de obras suportadas a 100% pelo Estado.

Modernização das escolas
Imagem de Jason Goh por Pixabay

Valor de refeições e despesas de saúde com verbas atualizadas

Além das obras profundas, e tal como previsto, o Estado central atualizou as verbas para a manutenção dos espaços que transfere para os municípios, atualizou o valor das refeições e assumiu despesas de saúde, de seguros e de ADSE relativamente ao pessoal não docente.

A autarca, que preside também ao município de Matosinhos, destacou que as regras “ficaram muito bem estabilizadas e mereceram a adesão unânime dos municípios”. “Direi que, em termos de balanço, o acordo foi um bom acordo. As regras não são questionadas por ninguém. Os municípios estão confortáveis com o que lá está definido”, considerou.

Atualmente falta apenas “melhorar” as transferências das verbas que estão previstas no acordo e que a Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) “ainda não está a realizar integralmente”.

“Temos o compromisso do Governo de que, até final deste mês de julho, os pagamentos serão feitos de acordo com o que está estabelecido no acordo”, acrescentou.

Relativamente à saúde, foi feito um acordo setorial que prevê um conjunto de equipamentos de centros de saúde transferidos para a responsabilidade dos municípios e que também serão suportados a 100% pelo Governo.

“Esse mapeamento ficou de ser apresentado e ainda não foi apresentado. Portanto, há um atraso no que diz respeito às questões de saúde”, salientou.

Serão criados rácios para os equipamentos de saúde, nomeadamente de funcionários e de viaturas, assim como em relação às despesas com o pessoal, tal como acontece na escola.

“Tudo isso está agora para ser finalizado. O Ministério da Saúde ficou de apresentar esse mapeamento e essas propostas, que, pelo que sei, estão prestes a ser apresentadas, mas já estão um pouco atrasadas relativamente ao previsto”, disse.

“O tempo não está perdido ainda. Estamos dentro do prazo possível para a execução de todos os recursos, designadamente do PRR. Ou seja este atraso não está a comprometer o investimento”, sublinhou.

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