Palácio da Ajuda reabre renovado até ao final do ano

Obras iniciadas há mais de um ano, no âmbito do PRR, rondam os quase treze milhões de euros.
Palácio da Ajuda
CC BY SA 2.0 by Osvaldo Gago
Lusa
Lusa

O Palácio Nacional da Ajuda (PNA), em Lisboa, vai reabrir, renovado, até ao final do ano, depois de obras de requalificação, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor de 12,8 milhões de euros.

As obras, iniciadas há mais de um ano, afetaram diferentes áreas e artes do PNA, desde a estrutura às fachadas e decoração, e permitirão a abertura ao público de três salas encerradas há mais de um século.

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As obras abrangeram os torreões do PNA, salas como o ateliê do rei D. Luís e o telhado, numa área de total de 10.000 metros quadrados de telhas, porém o antigo palácio real manteve-se visitável no decorrer da intervenção que tem de estar terminada no próximo dia 31 de agosto, prazo final do PRR.

O Palácio da Ajuda é “um equipamento reconhecido pelos portugueses como parte do seu quotidiano, da sua história, da sua herança. É um monumento muito querido dos portugueses e merece da nossa parte toda a atenção”, disse hoje aos jornalistas o presidente do conselho diretivo do Património Cultural - Instituto Público (PC-IP), João Soalheiro, garantindo que “a intervenção de conservação e restauro que está a ser feita é multivetorial”.

As três salas que vão ser abertas ao público, designadas como “do Tesouro”, foram no reinado de D. Luís visitáveis pelo público, mas após a morte do monarca, em 1889, deixaram de o ser e passaram a constituir sala de reservas e num futuro percurso de visitas serão “reservas visitáveis”, disse por seu turno, o diretor do PNA, José Alberto Ribeiro.

Obras profundas de reabilitação

Nas paredes destas salas é ainda possível observar “os desenhos preparatórios que foram interrompidos para as pinturas que levariam de seguida, por ocasião da morte de D. João VI [em 1826] e que ajudam a compreender melhor o resultado das salas magníficas do trono de D. João VI e outras”, destacou Soalheiro.

O abrir de salas do palácio revelou esquissos de desenhos, assim como alguns ‘graffiti’, como assinaturas de operários que ali trabalharam, identificando-se ou referindo o período de trabalho. Numa dessas marcas, no Torreão Sul, lê-se que foi substituída a antiga telha (“de canudo”) por “telha lusa”, em 1940, época em que se registaram intervenções pontuais no PNA. José Alberto Ribeiro diz que está a ser estudada a possibilidade de manutenção destes documentos.

A construção do Palácio da Ajuda, na zona ocidental da capital, foi iniciada em 1802, no reinado de D. João VI, e tornou-se residência régia com o rei D. Luís que nele residiu a partir de 1861.

Uma das salas intervencionadas foi o ateliê de pintura de D. Luís, onde existiam infiltrações, a exemplo de outros espaços do palácio, uma sala em madeira, decorada em estilo neogótico, que os visitantes muito apreciam, disse Ribeiro. Esta sala inclui trabalhos do entalhador Leandro Braga (1839-1897) e nela exerceram pintura e escultura os reis D. Luís e D. Maria Pia, assim como os príncipes Carlos e Afonso.

“No conjunto, são várias empreitadas em simultâneo, a maior das quais é as coberturas, efetivamente, com um montante de 6,5 milhões de euros”, disse Soalheiro.

Questionado sobre o investimento feito, João Soalheiro afirmou que foi feita “uma gestão muito metódica dos financiamentos e o mercado obrigou em várias circunstâncias a fazer reafetação e reajustes”. Verbas previstas para obras noutros equipamentos, que não iriam ser terminadas até 31 de agosto, por imposição do PRR, foram alocadas em outras intervenções.

“O Museu Nacional de Arqueologia chegou a ter um financiamento programado de 32 milhões de euros. Verificou-se que era impossível executar esse montante dentro do prazo do PRR. O que fizemos foi deslocalizar parte do financiamento que sobrava, que não se conseguia executar, para outros equipamentos”, exemplificou João Soalheiro.

No total estão a realizar-se, em todo o território nacional, intervenções em 85 monumentos.

Terminadas as obras no âmbito do PRR, as intervenções vão continuar no palácio: “Não sei quando nem quem as vai fazer, sei que é uma obrigação de todos nós cuidarmos do nosso património e diversificarmos os investimentos que estão a ser feitos ao nível do PRR”, disse o presidente do PC-IP.

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