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Imobiliário do BES: PJ fez novas buscas ao universo Espírito Santo

Autor: Redação

A Polícia Judiciária (PG) realizou ontem buscas em vários locais no âmbito dos processos do “Universo Espírito Santo”, que estão em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Um dos alvos terá sido a Espírito Santo Property.

Segundo a Lusa, que cita uma fonte ligada ao processo, os mandados de buscas foram solicitados pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, que acompanhou os elementos da PJ.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou as buscas, adiantando que as mesmas “decorrem nas instalações de uma empresa, em Lisboa”, e que estão a ser realizadas pelo DCIAP “no âmbito das investigações relacionadas com o denominado ‘Universo Espírito Santo’”.

Alguns órgãos de comunicação social noticiaram que as buscas decorreram na sede do BES/GES, em Lisboa. Um dos alvos terá sido a Espírito Santo Property, empresa que gere os ativos imobiliários do grupo e que tinha avançado com um Processo Especial de Revitalização (PER) para evitar a falência.

Na segunda-feira, a PGR adiantou que o arresto de bens a pessoas ligadas ao “Universo Espírito Santo” visa impedir “uma eventual dissipação de bens”, que ponha em causa pagamentos em caso de condenação.

De acordo com a PGR, o Ministério Público (MP) promoveu “o arresto preventivo de bens imóveis e valores patrimoniais de outra natureza titulados por pessoas singulares e coletivas relacionadas com o denominado ´Universo Espírito Santo’”, explicita-se no comunicado. O MP esclareceu que correm neste momento 29 inquéritos, entre processos principais e apensos relacionados com o denominado “Universo Espírito Santo”.

592 imóveis arrestados

Entretanto, e de acordo com o Correio da Manhã, o Tribunal Central de Instrução Criminal decretou o arresto de 592 imóveis de entidades e pessoas do “Universo Espírito Santo”. Desse total, 586 prédios dizem respeito a empresas e pessoas da família Espírito Santo.

Segundo a publicação, que teve acesso ao despacho do juiz de instrução criminal, foram arrestados imóveis de 24 entidades: 17 sociedades, três fundos de investimento e quatro pessoas singulares. Entre os imóveis arrestados, estão centenas de prédios rústicos e urbanos da Herdade da Comporta, da Aldeia do Meço - Sociedade para o Desenvolvimento Turístico, da Marinoteis - Sociedade de Promoção e Construção de Hotéis, da Multiger - Sociedade de Compra e Venda e Administração de Propriedades e da Hotelagos. O Hotel Tivoli Jardim, em Lisboa, e um edifício destinado a hotel em Sintra, ambos da Hotéis Tivoli, foram também arrestados.

A empresa da família de Ricardo Salgado, denominada Sociedade de Administração de Bens Pedra da Nau, foi alvo do arresto de três imóveis, entre os quais a residência em Cascais e a moradia de férias na praia do Pego, na Comporta. A José Ricardo Espírito Santo Bastos Salgado, um dos filhos de Ricardo Salgado, foi arrestado um imóvel em Lisboa e a José Manuel Espírito Santo, ex-administrador do BES, foram arrestados dois imóveis: um na Comporta e outro em Évora. Amílcar Morais Pires, ex-administrador do BES, e o ex-marido de Isabel Almeida, ex-diretora financeira do BES, tiveram também prédios arrestados, escreve a publicação.

CGD quer vender crédito milionário da Comporta

Por outro lado, adianta o Diário Económico, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) considera que os problemas da Rioforte não lhe dizem respeito e, por isso, pretende vender o crédito de 100 milhões à Herdade da Comporta o mais depressa possível.

Segundo a publicação, quem comprar o crédito terá um ascendente significativo sobre o processo de venda da Herdade, pelo que a Rioforte queria que a CGD mantivesse o crédito até que fosse encontrado um comprador. Mas o banco estatal não vai esperar e pretende avançar com a venda do crédito, mesmo com o arresto de parte do património imobiliário da Comporta que ocorreu ontem.  

A administração da CGD quer vender o crédito ao melhor preço, estando em negociações com o empresário americano Asher Edelman, que garante ter 400 milhões de euros para investir na Comporta. De referir que o arresto do património da Herdade, juntamente com outros ativos do antigo GES, não deverá impedir a venda do crédito pela CGD, que tem como garantia os principais ativos imobiliários do Fundo da Comporta.