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"Não podemos de forma alguma falar em qualquer tipo de crise do setor imobiliário"

A HomeLovers, imobiliária nascida e “criada” há 8 anos no Facebook, resolveu dar o salto da Internet para as ruas de Lisboa com a primeira loja física.

Miguel Tilli, CEO da imobiliária que inaugura hoje espaço no Chiado. / HomeLovers
Miguel Tilli, CEO da imobiliária que inaugura hoje espaço no Chiado. / HomeLovers
Autor: Leonor Santos

Depois de oito anos na internet, a HomeLovers, imobiliária nascida e “criada” no Facebook, deu o salto para as ruas de Lisboa. O Chiado foi o lugar escolhido para abrir a primeira loja física da marca, que começou focada no arrendamento para depois apontar a “mira” à venda de casas. O negócio “engordou” à boleia da dinâmica do setor imobiliário dos últimos anos, e desde aí nunca mais parou de crescer. Miguel Tilli, CEO da Homelovers, olha para o arrefecimento de mercado com naturalidade, mas descarta a existência de qualquer tipo de crise no setor. “O mercado está mais profissionalizado e com preços mais realistas e menos inflacionados por uma procura crescente, algo em que nos revemos”, refere em entrevista ao idealista/news.

A imobiliária, que começou com duas pessoas e que agora soma 60 colaboradores, inaugura oficialmente o espaço esta quarta-feira, 13 de novembro de 2019, e já tem planos para a exploração de mais flagship stores em “centros urbanos importantes”.

A aposta neste novo conceito vai ao encontro das expectativas de Miguel Tilli para o futuro. O CEO da HomeLovers mostra-se confiante no que aí vem, acreditando que, embora mais “comedido” desde finais de 2018, o crescimento tem sempre dado sinais positivos. Prova disso, diz, é a internacionalização, que também está nos seus planos, revelando existirem “situações de expansão da marca em fase muito adiantada de negociação em mercados muito importante da Europa”.

O papel das redes sociais no sucesso do negócio, as razões que estão por detrás deste novo investimento e ainda a estratégia para os próximos tempos. Estes e outros temas foram explorados na entrevista a Miguel Tilli, que agora reproduzimos na íntegra.

A história da HomeLovers é peculiar. Trata-se de uma imobiliária que nasceu no Facebook, em 2011, em tempo de crise. Que balanço fazem destes 8 anos?

A HomeLovers foi criada há 8 anos pela necessidade que Lisboa tinha de promover de forma profissional as suas casas bonitas e únicas. Resultou de uma lacuna existente do marketing imobiliário e da forma como as casas chegavam às pessoas – juntámos boas fotografias de casas bonitas às redes sociais e assim criámos a HomeLovers.

A nova casa da HomeLovers, no Chiado / HomeLovers
A nova casa da HomeLovers, no Chiado / HomeLovers

Temos tido um crescimento muito sustentado. Começámos com dois colaboradores e, neste momento, já possuímos 3 escritórios e uma flag ship store, contando com cerca de 60 colaboradores. Quanto ao negócio em si, notámos um grande crescimento há três anos, acompanhando o ressurgimento imobiliário dos principais centros urbanos, com crescimentos na ordem dos 200 a 300% ao ano. Desde finais de 2018 e com o abrandamento do mercado, o crescimento tem sido mais comedido, mas sempre com sinais positivos.

Que papel tiveram as redes sociais para o sucesso do negócio?

As redes sociais foram e continuam a ser essenciais para o sucesso da HomeLovers. Foi lá que iniciámos este projeto e continuamos a apostar imenso nas mesmas. Mantemos uma presença ativa no Facebook e Instagram, um website bastante intuitivo, renovado há pouco tempo, e um blog – a nossa HomeLovers Mag, com dicas de decoração e lifestyle. Além disso, lançámos também a aplicação HomeLovers para smartphones Android e IOS.

Mantemos uma presença ativa no Facebook e Instagram, um website bastante intuitivo, renovado há pouco tempo

O que vos distingue atualmente das chamadas proptech e das agências "tradicionais"?

É um facto que a HomeLovers nasceu e continua com uma forte presença nas redes sociais e tornou-se conhecida efetivamente pela sua componente virtual. No entanto, consideramo-nos bastante próximos dos nossos clientes e mantemos como valores fundamentais a transparência e a ética. Damos a informação aos nossos clientes sem filtros e de forma real para que sintam que estão a ser bem informados e, acima de tudo, que não se sintam parte de qualquer tipo de publicidade enganosa.

Temos respeito pelos nossos clientes e valorizamo-los, e acho que isso é algo que nos distingue. Foi também esse um dos motivos pelos quais decidimos abrir portas à nossa própria casa, no Chiado, para acolher quem nos quisesse visitar e ter uma experiência mais física e pessoal.

HomeLovers
HomeLovers

“Aqui ninguém tem a postura de vendedor de fato e gravata. Andamos todos de ténis e descontraídos”, diziam numa entrevista em 2014. Ainda é assim? Quantas pessoas têm na equipa atualmente?

Atualmente temos cerca de 60 colaboradores que diariamente fazem parte da equipa HomeLovers, mas o espírito mantém-se igual. Nunca quisemos ser mais uma agência no mundo imobiliário, ou igual a tantas outras. Queremos sim que as pessoas se sintam em casa, e isso transpõe-se dos nossos clientes aos nossos colaboradores. Penso que é um factor que nos distingue, do qual não abdicamos.

Centram-se na venda de casas, mas também no arrendamento. Qual o mercado mais forte? E para que segmento estão mais orientados?

A HomeLovers surgiu focada no mercado de arrendamento e foi graças ao nosso bom serviço que conseguimos a oportunidade, por parte dos proprietários, de começarmos também a vender casas. Nos últimos dois anos o mercado de arrendamento sofreu um decréscimo e no último ano começou-se a notar uma nova procura que tem vindo a crescer. No entanto, temos uma equipa versátil e apesar de outrora ter estado mais focada nos arrendamentos, é atualmente também especialista em venda de casas.

Nos últimos dois anos o mercado de arrendamento sofreu um decréscimo e no último ano começou-se a notar uma nova procura que tem vindo a crescer

Qual o preço médio de venda e de arrendamento da HomeLovers, e o período médio das transações, atualmente?

Os valores médios de arrendamento em Lisboa são de entre 500 a 650 euros por um T0, entre os 650 e os 850 por um T1, entre os 850 e os 1000 euros por um T2, e acima de 1000 euros para os T3 e T4. Para comprar, o valor médio ronda os 4.000 euros por m2. Já os tempos médios de arrendamento são de entre 15 dias a 1 mês, e de venda, em média, 3 meses.

Qual o perfil de compradores e arrendatários?

A verdade é que este é um mercado bastante transversal, que pode ir desde os filhos dos compradores a todos os outros que influenciam a sua decisão, sejam eles amigos, colegas, ou até mesmo o local do trabalho. Maioritariamente encontramos homens de negócios que vêm trabalhar para Portugal, por exemplo, entre os 45 e 65 anos, com um bom poder de compra e formação académica superior.

Sobre o segmento “To Invest”. Como surgiu essa ideia? Está a ter sucesso?

O “To Invest” é um segmento de negócio que é muito procurado por clientes que pretendem ter algum apoio de house hunting, pois é uma tarefa difícil de executar, uma vez que o somatório do valor de conta da casa e da remodelação dê um total que seja inferior ao que se gastaria caso se comprasse a casa projeto chave na mão.

O “To Invest” é a forma como comunicamos um bom negócio para investir – casos em que tem de haver um investimento na remodelação da casa.

Qual o volume de negócios da HomeLovers?

Temos obtido um valor de vendas entre 85 a 100 milhões euros por ano de colocação de imóveis no mercado. Ao longo dos 8 anos, no total de vendas e arrendamentos, tivemos 3.000 operações de transações de casas – a maioria em Lisboa, Porto e Cascais.

Qual a vossa estratégia para o futuro?

Os grandes objetivos, para o último trimestre deste ano e próximo ano, prendem-se com a continuação de uma política de rigor comercial e a exploração de mais flagship stores em centros urbanos importantes, e com muita expressão no mercado imobiliário nacional.

Pretendemos fazer crescer a nossa equipa comercial e prepará-la da melhor forma para os desafios que este mercado cada vez mais exigente nos traz. A internacionalização é também algo que está no nosso horizonte e com situações de expansão de marca em fase muito adiantada de negociação em mercados muito importantes da Europa.

Vão abrir uma nova “casa”, o vosso primeiro espaço físico.Porque é que decidiram complementar o online com esta vertente presencial?

É verdade que a HomeLovers nasceu e continua com uma forte presença nas redes sociais, e que se tornou conhecida pela sua componente virtual. No entanto, sentimos a necessidade de construir a nossa própria casa para receber os nossos clientes que querem vir ter connosco e ter uma experiência diferente, mais física e pessoal.

Um sofá para receber os clientes / HomeLovers
Um sofá para receber os clientes / HomeLovers

A experiência que os nossos clientes podem ter neste espaço é de facto a nossa grande mais valia, pois para além de poderem fazer tours virtuais e visitar algumas das nossas casas sem precisarem de se deslocar às mesmas, somos a primeira agência que tem uma sala de estar, uma cozinha e até uma biblioteca única com livros de arquitetura, arte e decoração, como se estivesse na sua casa, e que oferece a possibilidade de realizar vários eventos com os clientes.

Acreditam que o ritmo de crescimento do mercado vai continuar? O que é que vai mudar na vossa opinião?

Depois de cerca de três anos de enorme crescimento no número de transações, desde finais de 2018 que se nota um abrandamento generalizado na procura mas que não podemos de forma alguma falar em qualquer tipo de crise do setor imobiliário.

O que está a acontecer e de uma forma gradual, é que muitos mercados, essencialmente o de Lisboa/Cascais/Porto estão a estabilizar preços, revelando a maturidade suficiente para que todos os intervenientes neste contexto imobiliário assumam esta nova realidade com tranquilidade e preparados para os ajustes que são necessários.

Diríamos que o mercado está mais profissionalizado e com preços mais realistas e menos inflacionados por uma procura crescente, algo em que nos revemos. A HomeLovers sempre atuou com o princípio de trabalhar como uma entidade que regula os preços do mercado e sempre defendeu um equilíbrio e um negócio justo para todos: proprietários e compradores.

A própria procura já é mais consciente, mais cautelosa, o que de certa forma ajuda também todos os intervenientes a fechar muitas vezes melhores negócios.

A fachada da loja / HomeLovers
A fachada da loja / HomeLovers