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Centros comerciais da Sonae Sierra com prejuízo de mais de 12 milhões em rendas em plena pandemia

A nova lei, que isenta as as lojas do pagamento da componente fixa da renda até ao fim do ano, terá um impacto negativo nas receitas superior a 40%.

Photo by Daniel von Appen on Unsplash
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Autor: Redação

Entre abril e junho, a Sonae Sierra, que detém 14 centros comerciais em Portugal, registou prejuízos de 56 milhões de euros, num trimestre que se mostrou “particularmente desafiante” com o encerramento das lojas por causa da pandemia e “incerteza quanto ao recebimento de rendas devido a uma legislação sem precedentes”. Feitas as contas, e perante a nova lei que entrou em vigor – isenta as lojas do pagamento da componente fixa da renda até ao fim do ano –, a empresa estima perdas superiores a 12 milhões de euros.

Os números foram avançados pelo diretor financeiro da Sonae Sierra, Luís Mota Duarte, na conferência para analistas que se seguiu à divulgação dos resultados do primeiro semestre, citados pelo Negócios. A Sonae Sierra arrecada por ano, em rendas, cerca de 30 milhões no país, sendo que “o impacto estimado apenas com a isenção de rendas fixas até ao fim do ano, sem contar com a quebra nas vendas, ronda os 40%”, de acordo com Luís Mota Duarte.

Nas contas do gestor, “se as vendas caírem 20% a partir de agosto, os inquilinos terão um desconto nas rendas, em média, de 50%”. Na prática, uma renda de mil euros isenta da componente fixa fica em 600 euros. Quer isto dizer que uma quebra de 20% nas vendas dará uma renda final de 480 euros.

Luís Mota Duarte explica que a isenção de renda fixa “faz com que exista uma desproporcionalidade entre a queda das rendas e o desconto que é efetuado”, e dá o exemplo de “uma grande retalhista internacional”, inquilina da Sonae, que registou um aumento de vendas de 2% e terá um desconto na renda de 23%.

Sonae considera que valor proposto pela Efanor na OPA é adequado

As administrações da Sonae Indústria e da Sonae Capital consideram que o valor proposto pela Efanor na "oferta pública geral e voluntária de aquisição de ações representativas do capital social" é adequada à operação, segundo os comunicados enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM),

"Face aos dados e informação expostos e à luz da informação existente sobre a Sociedade e da atual situação financeira e perspetivas de mercado para a Sonae Indústria, a opinião do Conselho de Administração é que a contrapartida da oferta de 1,14 euros por ação afigura-se justa e adequada", lê-se no texto disponibilizado pelo conselho de administração da Sonae Indústria, citado pela Lusa. 

Na Sonae Indústria, a Efanor detém, diretamente ou por outras vias, direitos de voto "inerentes a 31.150.266 ações representativas de cerca de 68,608% do capital social e direitos de voto". A contrapartida oferecida pela Efanor na proposta divulgada no final de julho é de 1,14 euros por ação e incorpora "um prémio de 68,4%" em relação ao preço médio ponderado das ações nos seis meses imediatamente antes de 30 de julho deste ano, de 0,667 euros, segundo o comunicado. 

A eficácia da oferta "ficará subordinada a que a oferente [Efanor] passe a deter, em consequência de oferta pública de aquisição, mais de 90% dos direitos de voto" da Sonae Indústria, segundo a nota divulgada em julho.

No que diz respeito à Sonae Capital, a Efanor detém 157.004.263 ações, representativas de cerca de 62,8% do capital social e 63,7% dos direitos de voto, oferecendo uma contrapartida de 0,7 euros por ação, um valor que implica um prémio de 29,4% face à média dos últimos seis meses e 46,8% em relação ao preço dos títulos na quinta-feira, 28 de agosto de 2020. 

As condições para o sucesso e a possibilidade de a Sonae Capital perder, ela também, o estatuto de sociedade aberta (saída de bolsa) são semelhantes às da Sonae Indústria.

"No que diz respeito ao valor da contrapartida, o Conselho de Administração considera-o justificável e passível de ser aceite pelos senhores acionistas", revela ainda o documento da Sonae Capital.