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Golden Real Estate alarga atividade: "A pandemia não parou os investimentos"

Luís Mesquita deixa a CBRE do Porto e torna-se o novo partner da Golden Real Estate. A nova área é dedicada aos investidores.

Photo by Cayetano Gros on Unsplash
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Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

A Golden Real Estate vai alargar a sua área de intervenção a clientes externos e pretende atingir a breve prazo na concretização de transações um valor mínimo de 250 milhões de euros anuais, centrados nas áreas de promoção imobiliária e investimento. A empresa faz parte do grupo Golden, criado em 2000, no Porto, e que está ligado ao setor de serviços financeiros. Em entrevista ao idealista/news, Luís Mesquita, o novo partner ,destaca que a Golden Real Estate vai aprofundar o seu posicionamento de “boutique imobiliária, reforçando a sua equipa de modo a poder ser uma referência a nível nacional na área de capital markets imobiliário”. O profissional, com 20 anos de experiência no mercado imobiliário do Porto, esteve nos últimos anos à frente do escritório da CBRE na Invicta, com as funções de diretor coordenador.

Que razões leva a Golden Real Estate a alargar a atividade para a gestão de ativos imobiliários a clientes externos?

Deve-se à identificação da existência de uma lacuna no mercado de serviços imobiliários mais personalizados e com um acompanhamento premium a todos os proprietários, promotores ou investidores, que vai muito além da mera intermediação imobiliária, e que aprofunda um apoio de consultoria e parceira na ótica de boutique imobiliária.

E também à solicitação destes serviços por um crescente número de clientes e promotores com base no reconhecimento do know-how existente no grupo, visível nos diversos projetos desenvolvidos ao longo dos últimos anos.

O conhecimento do mercado imobiliário global permite-nos prestar todo o apoio necessário à tomada de decisão de investimento de private investors, family offices ou investidores institucionais.

Quais os objetivos da Golden Real Estate e em que segmentos do mercado imobiliário pretende atuar?

A Golden Real Estate pretende aprofundar o seu posicionamento de boutique imobiliária, reforçando a sua equipa de modo a poder ser uma referência a nível nacional na área de capital markets imobiliário.

O conhecimento do mercado imobiliário global permite-nos prestar todo o apoio necessário à tomada de decisão de investimento de private investors, family offices ou investidores institucionais.

Oferece-se uma solução integrada na área do Real Estate, tanto para clientes particulares como para institucionais, com especial enfoque na valorização do património.

Queremos acompanhar os clientes em todo o ciclo de vida dos projetos, e em qualquer dos segmentos, seja em escritórios e outros serviços, retalho, residencial e co-living, turismo, mas também na área industrial e logística.

Em termos de carteira/investimento onde pretende atuar?

A Golden pretende atingir a breve prazo a realização de transações num valor mínimo de 250 milhões de euros anuais, centrados nas áreas de promoção imobiliária e investimento.

Dentro destas áreas a latitude da Golden continuará a ser total, podendo acompanhar os clientes em todo o ciclo de vida dos projetos, e em qualquer dos segmentos, seja em escritórios e outros serviços, retalho, residencial e co-living, turismo, mas também na área industrial e logística.

A pandemia não parou os diversos investimentos em setores como os escritórios, o residencial e em particular o setor da logística, que acabou por ser afetado positivamente pelo advento do crescimento das transações online.

Tendo em conta a situação de pandemia qual é o impacto sentido no mercado imobiliário?

Como é óbvio o setor imobiliário não está imune ao impacto da pandemia, no entanto não foi transversal em todos os setores de atividade. Onde se sentiu mais fortemente foi sem dúvida na promoção imobiliária, em particular no sector de turismo e hotelaria, sendo que afetou também a grande promoção de raiz, nomeadamente e sobretudo no adiamento de tomada de decisões.

No entanto, não parou diversos investimentos em setores como os escritórios, o residencial e em particular o setor da logística, que acabou por ser afetado positivamente pelo advento do crescimento das transações online.

Apesar da crise podemos verificar alguma resiliência, quer a nível de rendas, como, por exemplo, no setor dos escritórios, quer a nível dos valores das transações efetuadas com poucos descontos, como nos ativos prime.

Considera que esta é uma altura interessante para investir em ativos imobiliários?

Acreditamos que estamos a entrar num bom momento para investir em imobiliário, por um lado, por ter sido sempre um setor de refúgio e de retornos muito estáveis - por haver uma carência muito grande oferta em determinadas áreas como a área residencial – mas, também, como é óbvio pelo facto de ao longo do ano irem surgir oportunidades de compra de ativos com ajustes significativos de preços em determinados setores.

Mesmo no turismo e na hotelaria temos em curso o desenvolvimento e acompanhamento de projetos pois alguns dos nossos clientes pretendem ver terminados os seus projetos na altura em que se estima que a crise pandémica esteja controlada.

Quais os segmentos que considera vão apresentar um melhor ou pior desempenho em 2021?

Consideramos que o setor da habitação e da logística vão ser os motores do setor, sendo que no extremo estarão os setores do turismo e hotelaria.

No entanto, mesmo neste último setor, temos em curso o desenvolvimento e acompanhamento de projetos pois alguns dos nossos clientes pretendem ver terminados os seus projetos na altura em que se estima que a crise pandémica esteja controlada e o mundo, na generalidade, volte ao novo normal, entre 2022 e 2023.

A construção de habitação para clientes de gama média e para o arrendamento acessível vão ser uma realidade em breve?

Não temos dúvida. Esta é uma realidade criada nos Estados Unidos nos finais do século passado, que se implantou na Europa Central no início do século, em particular na Alemanha, e que, recentemente, se estendeu à Irlanda e aos países do Sul, sendo já uma realidade palpável em Espanha.

Em Portugal começaram a surgir os primeiros projetos em Lisboa e também o Porto está a dar os primeiros passos. Esta lógica de construção para arrendamento ou como se conhece na Europa ‘multifamily’, veio para ficar pois tem uma cadeia de valor muito eficiente e permite não só criar habitações com uma filosofia que responde aos anseios e exigências das novas gerações com a disponibilização de diversos serviços e funcionalidades espaciais nos edifícios, mas também responder à crescente mobilidade exigida pelas novas lógicas de trabalho e acima de tudo resolver a escassez de oferta de habitação a preços acessíveis à classe média.

Vamos ver este setor a emergir em força e tornar-se numa importante componente do investimento imobiliário em Portugal.

Luís Mesquita / Golden Real Estate
Luís Mesquita / Golden Real Estate