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Há 70 mil casas em Portugal que ninguém quer comprar... Porquê?

Autor: Redação

Sabias que há em Portugal entre 60 a 70 mil casas que não se vendem simplesmente porque ninguém as quer comprar? São imóveis localizados sobretudo nos subúrbios das principais cidades e no interior do país, onde há cada vez menos pessoas e serviços. Apesar de não haver dados estatísticos oficiais, pode haver ainda mais casas à venda que permanecem no mercado à procura de novo dono.

Segundo o Expresso, os números em causa resultam da perceção dos técnicos da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) e da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). As duas entidades adiantam que muitas destas casas encontram-se, por exemplo, em Valongo, Gaia ou Gondomar, na área do Grande Porto, e em Almada, Loures, Mira Sintra, Santo António dos Cavaleiros, Seixal, Alcochete, Montijo, Amadora ou Cacém, no perímetro da Grande Lisboa.

Estes imóveis – muitos estão localizados em zonas inseridas num urbanismo mal conseguido e pouco funcional em que a construção é de fraca qualidade – acabam por estar à venda durante muitos anos, já que a oferta e desadequada à procura. E quando estão sem comprador durante dois ou três anos estão perdidas para o mercado, concluem os mediadores imobiliários.

Para Reis Campos, presidente da CPCI, há vários anos que o Estado não tem uma “política consistente” de construção de habitação social. De acordo com o responsável, em Portugal há 468 mil fogos sobrelotados e, por outro lado, tendo por base contas feitas por baixo (média de 100.000 euros por casa, das 60 mil que não se estão a vender), estão “encalhados” cerca de 6.000 milhões de euros.

Citado pela publicação, Luís Pedro Sequeira, presidente da Associação dos Urbanistas Portugueses, referiu que em muitos casos estas casas estão na posse dos bancos, por incumprimento de construtores e promotores imobiliários.