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Mediadores alertam para riscos de branqueamento de capitais no setor

Rui Silvestre/Unsplash
Rui Silvestre/Unsplash
Autor: Redação

O setor imobiliário tem movimentado muitos milhões de euros e atraído cada vez mais operadores, alguns a atuar no mercado sem licenças específicas para a mediação. A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) já veio alertar para os riscos de branqueamento de capitais no setor e refere mesmo que cerca de “30% do mercado não é controlado”.

“A APEMIP tem recebido muitas denúncias que já fez chegar à tutela (Ministério da Economia). Estamos a falar de operadores que atuam no mercado imobiliário sem licença específica para a mediação imobiliária e que, nesse sentido, não são obrigados a cumprir todos os condicionalismos impostos às outras mediadoras”, disse o presidente da entidade, Luís Lima, em declarações ao Expresso.

O setor é regulado pelo Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC), mecanismo que, de acordo com Luís Lima, não tem capacidade para fiscalizar todas as irregularidades.

“A importância que o setor imobiliário tem para a Economia nacional obriga-nos a assumir mais responsabilidade, a pedir ao Estado essa responsabilidade partilhada, que este não consegue ter ao nível da fiscalização. Para nós é mais fácil, temos mais de 3.000 associados de norte a sul do país”, acrescentou Luís Lima.

Criada uma comissão estratégica

Decidida a fazer mais pressão sobre o Executivo, a APEMIP assinou durante o Salão Imobiliário de Portugal (SIL) um memorando com algumas das principais mediadoras do país – Remax, ERA, Century, Sotheby’s, Garvetur e a Cushman&Wakefield – para reforçar o acompanhamento mais próximo do setor. Trata-se de uma comissão que se irá reunir mensalmente para definir estratégias de proteção do mercado imobiliário.

“O Estado controla a questão do branqueamento de capitais nas mediadoras que fazem legalmente o seu trabalho. E os outros? Os que fazem trabalho clandestino? Como é que o Estado vai justificar perante a União Europeia que 30% do mercado não é controlado neste âmbito?”, questionou Luís Lima, preocupado com a facilidade com que certos operadores atuam no mercado.