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Comprar ou arrendar casa? Um dilema sem fim à vista

Gtres
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Autor: Redação

Continua a ser uma questão para um milhão de euros. Comprar ou arrendar casa para viver? Uma decisão difícil e que obriga a fazer muitas (mesmo muitas) contas. Arrendar casa era mais barato que comprar em 2007. Passados três anos, em 2010, a equação mudava. Compensava comprar outra vez. E agora? Em que ponto estamos?

A revista Dinheiro & Direitos, da Deco Proteste, voltou a pegar na calculadora e a fazer as contas, considerando para a análise um T2 com 100 metros quadrados (m2) e características semelhantes em cinco cidades: Lisboa, Porto, Braga, Castelo Branco e Faro. Em cada uma delas foram consideradas duas casas, uma para arrendar e uma para comprar.

Os preços altos para comprar casa, escreve a revista, estão a ser aliviados pelas taxas de juro dos créditos à habitação, graças à Euribor historicamente baixa, mesmo em valores negativos. Mas a estes valores é preciso somar uma série de custos: despesas com o processo de crédito, impostos, escritura, seguros, comissões bancárias. Depois, o valor do condomínio, das obras e mais impostos.

“Custa muito, literalmente, ser proprietário. Bem mais que ser arrendatário, a quem cabe pagar, basicamente, uma caução inicial e uma renda mensal, por norma atualizada todos os anos ao ritmo da inflação”, afirmam os autores do estudo, que avaliaram, ainda assim, todo o cenário, tendo em conta as condições a curto e longo prazo.

Comprar ou arrendar? Vamos a contas

No caso de Lisboa, para comprar uma casa precisas de 56.000 euros, 20% do preço de aquisição. A este custo deves somar gastos notariais e de registo, o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), o imposto de selo sobre o valor da aquisição (0,8%) e do crédito (0,6%) e ainda as despesas por conta das comissões iniciais referentes ao empréstimo. “A máquina de calcular não engana: o esforço inicial para comprar o ‘nosso’ T2 é 30 vezes superior ao arrendar a casa concorrente”, mas ainda assim este é apenas o princípio das contas que precisam de ser feitas. Há que comparar os custos mensais, anuais e aquilo que será poupado ao fim de 30 anos.

Feitas as contas ao mês, a fatura da compra é ligeiramente mais leve que a fatura da renda. E isto somando a prestação aos prémios anuais dos seguros de vida e multirriscos exigidos pelo banco e ainda as despesas com o condomínio. No caso das contas anuais, por causa do Imposto Municipal de Imóveis (IMI), obrigatório para quem compra casa, o arrendamento revelou-se menos caro. E ainda é possível deduzir no IRS 15% das rendas suportadas, com o limite anual de 502 euros. Mas ao fim de 30 anos, o estudo conclui, ainda assim, que comprar casa em Lisboa é mais vantajoso: gastam-se menos 50.000 euros.

Em Braga, por exemplo, também vale a pena comprar, mas por pouco. São 20 euros de diferença entre a prestação e a renda e 16.000 euros de poupança ao fim de 30 anos. No Porto e em Faro compensa comprar, pensando nos custos de curto, médio e longo prazo.

Veredicto: comprar casa? Sim, mas calma

“Comprar casa” saiu vencedora. Ainda assim nem só de contas “à prestação, ao IMI, aos juros e à renda se faz a escolha entre comprar e arrendar casa”, defendem os autores do estudo. A verdade é que arrendar vem com menos preocupações no presente. Um arrendatário está livre de várias despesas iniciais (IMT, imposto de selo, escritura, registos), periódicas (IMI e condomínio) e outras ocasionais, como obras de conservação do imóvel. Além disso, arrendar permite uma maior mobilidade. O arrendatário poderá mudar-se quando quiser, desde que avise o senhorio dentro dos prazos legais para o fazer.

Ainda assim, comprar pode significar menos preocupações no futuro. Se na idade da reforma o empréstimo ao banco estiver saldado, quem decidiu comprar terá uma casa e menos uma despesa.