Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Moody's alerta para irrealismo no preço das casas em Lisboa e Porto, mas descarta bolha

Fulvio Ambrosanio/Unsplash
Fulvio Ambrosanio/Unsplash
Autor: Redação

A Moody's prevê que os preços das casas vão continuar a aumentar em Portugal, considerando que já há subidas fora do normal em algumas das zonas de Lisboa e Porto. Ainda assim, e apesar existirem focos de risco no setor imobiliário em Portugal, a agência de rating rejeita a existência de uma bolha. 

Em causa está um relatório publicado pela Moody's esta quinta-feira (13 de dezembro de 2018), sobre as condições do mercado nacional de imóveis.

”Nestas áreas o mercado de habitação está a acelerar a um ritmo não usual, particularmente se existir uma desconexão entre os níveis de rendimento e a inflação nos preços das casas”, lê-se no documento.

Segundo o referido relatório, o equilíbrio do mercado arrisca ficar comprometido se “os compradores tiverem expetativas irrealistas sobre até que ponto os preços irão continuar a subir nestas zonas nobres” de Lisboa e Porto. Isto depois de notar que “em alguns locais os preços já aceleraram de forma acentuada”.

Desde o início de 2016 até junho deste ano, o valor mediano dos negócios feitos no concelho de Lisboa aumentou mais de 46%. Uma casa de 100 metros quadrados (m2) é vendida a 275.000 euros. No concelho do Porto o aumento foi de 34%, com um imóvel com a mesma área a ser vendido a 146.000 euros, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A Moody’s conclui ainda que o “maior nível de investimento estrangeiro está também a contribuir para a inflação no preço das casas em Portugal”. 

Recentemente também o Banco de Portugal (BdP) reconheceu que, nos trimestres mais recentes, têm-se registado sinais de sobrevalorização dos preços do imobiliário residencial em termos agregados, "ainda que limitados". 

Banca beneficiará de um mercado imobiliário mais forte no país

Ainda segundo a Moody’s, a banca portuguesa é uma das principais beneficiárias do mercado imobiliário “mais forte” que existe atualmente e que conduz a uma melhor situação do crédito malparado.

A empresa salienta, num relatório citado pela Lusa, que os “rácios de NPL [‘non performing loans’, ou seja, o crédito malparado] dos bancos portugueses irão continuar a melhorar enquanto os preços das casas prosseguem a subir e a economia está a fortalecer-se, ainda que a um ritmo mais moderado”.

De acordo com a agência de rating, “o crescimento económico, maior recuperação de créditos, amortizações e venda de alguns NPL” causou um decréscimo na acumulação de ‘stocks’ destes créditos problemáticos no balanço dos bancos portugueses, verificado em 2017 e na primeira metade de 2018 “de forma substancial”.

Apesar disso, os rácios de NPL em Portugal (de 12,4% no final de junho de 2018) continuam acima da média de 4% da União Europeia. A Moody’s aponta ao dedo aos créditos às empresas, com um rácio de 22,3% de NPL no fim deste ano, face ao crédito à habitação, que está com 4,9% de incumprimento.

Ainda assim, os níveis de crédito à habitação só subiram “ligeiramente” na banca, apesar do aumento dos preços e das baixas taxas de juros, conclui a empresa.