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Montijo, construção de qualidade a preços mais baratos que Lisboa - mas já nem tanto

Carla Celestino
Carla Celestino
Autor: carla celestino (colaborador do idealista news)

Basta atravessar a ponte Vasco da Gama, desde Lisboa em direção à Margem Sul do Tejo, para começar a vislumbrar-se ao longe enormes gruas que fazem adivinhar a construção nova de edifícios. No local são vários os empreendimentos a ganhar forma e os andaimes por metro quadrado (m2). Para este cenário foi fundamental o acordo de financiamento do novo aeroporto do Montijo, entre a ANA - Aeroportos de Portugal e o Estado assinado no dia 08 de janeiro de 2019, que veio dissipar reservas por parte dos promotores imobiliários em adquirir terrenos ou a fazer erguer novos edifícios.

Esta nova vaga de construção é suficiente para a procura de quem vê na Margem Sul uma alternativa a Lisboa para viver, bem como para ajudar a estabilizar os preços das casas que por ali já começaram a dar sinais de altas subidas? Ou é necessário ainda mais investimento em obra nova e reabilitação? O idealista/news foi saber.

Carla Celestino
Carla Celestino

De portas abertas à construção

Bem em frente ao Forum Montijo, do outro lado da estrada, localizados junto da circular externa do Montijo e a 5 minutos da rotunda das Portas da Cidade, surgem novos empreendimentos a olhos vistos.

A construtora Matos Louro e Luís está a edificar o projeto Portas do Montijo, composto por 9 prédios e 90 fogos de  tipologias T2, T3 e T3+1. A representante da empresa Paula Silva adianta ao idealista/news que “quatro edifícios já estão concluídos, num total de 40 fogos, sendo que 30 apartamentos já estão vendidos e 10 encontram-se em comercialização”.

Os T2 têm um preço de 230 mil euros, os T3 variam entre os 325/350 mil euros e os T3+1 têm valores a partir dos 400 mil euros. E refere que “entre os compradores temos portugueses e estrangeiros, bem como investidores, jogadores de futebol…, é uma procura muito diversificada”. Acrescenta ainda que “a conclusão total do projeto depende das vendas, uma vez que só construímos um novo edifício quando o anterior já está todo vendido”. 

Portas do Montijo: Matos Louro e Luís
Portas do Montijo: Matos Louro e Luís

No Vale do Salgueiro surge o Pinus Urban Garden, um empreendimento da Jasfil Imobiliária. Segundo a representante da empresa Paula Sousa, “o primeiro prédio já está em construção e deverá estar concluído no final de 2019”.

Ao todo são 66 apartamentos divididos por sete lotes, com cinco pisos cada e um piso subterrâneo com garagens individuais, lugares de parqueamento e arrecadações para a maioria das frações. Os apartamentos, de tipologias T2, T3 e T3+2 Duplex têm áreas brutas entre os 168m2 e os 690m2 e os quartos são todos em suite. Quatro dos prédios têm quatro apartamentos T3+2 duplex em formato de penthouses com áreas úteis de cerca de 420m2 e áreas exteriores de mais de 250m2, com piscinas privativas e terraços panorâmicos de cerca de 150m2.

Paula Sousa revela ao idealista/news que “a primeira fase com 3 lotes tem conclusão prevista para abril de 2020 e a segunda fase de 4 lotes estará terminada em agosto de 2020”. Quanto a preços, avança que, neste momento, “existem T2 a partir dos 190 mil euros e T3 a partir do 280 mil euros”, já nos T3+2, “as penthouses estão a ser comercializadas por 535 mil euros e duplex por 410 mil euros e 420 mil euros (sem piscina)”.

Pinus Urban Garden: Jasfil
Pinus Urban Garden: Jasfil

No que diz respeito à procura, a RE/MAX Portugal apurou que é dominada, sobretudo, por “portugueses que trabalham em Lisboa e para quem é incomportável viver na capital”, muito embora tenha também aumentado a procura por parte de “estrangeiros, nomeadamente de ingleses entre os 40 e 50 anos, que trazem a família e compram casas acima dos 200.000,00 euros”. Salienta ainda que “há mais oferta de fogos novos, fora do centro da cidade, estando o centro muito abandonado, mas com alguns sinais de reabilitação por parte de investidores”.

O que torna o Montijo atrativo para viver ali

Na última década, o concelho do Montijo registou um acentuado aumento do parque imobiliário, em particular do segmento residencial, graças à atratividade provocada pela Ponte Vasco da Gama e pela construção imobiliária de qualidade, a preços mais acessíveis do que na Margem Norte do Rio Tejo.

O presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, explica ao idealista/news que “este crescimento verificou-se, essencialmente, nos bairros ao redor do centro da cidade, extendendo-se através de novos bairros com construção imobiliária de qualidade, espaços verdes, amplas praças e equipamentos públicos de proximidade (parques infantis, polidesportivos, novas escolas, entre outros)”.

Mau grado, o crescimento da cidade criou naturalmente alguns problemas, entre os quais os “vazios urbanos” que, apesar de serem “espaços que de acordo com o Plano Diretor Municipal são urbanizáveis, ainda se encontram por ocupar, existindo por exemplo terrenos desocupados ao lado de novas construções”, diz o autarca.

Por outro lado verifica-se, em particular no centro histórico, o problema vivido por muitas cidades do país relacionado a reabilitação urbana. O autarca conta que, a este nível, foi criado um conjunto de mecanismos que “começam a dar os seus frutos”, existindo já “diversos investimentos relacionados com a reabilitação de edifícios habitacionais ou mistos (habitação e comércio) no centro da cidade”.

“Temos procurado criar condições para conciliar a expansão urbana com a revitalização do centro da cidade, contribuindo assim para a dinâmica económica e social do Montijo e proporcionar melhores condições de vida e de futuro” refere Nuno Canta.

Casa da Música, Câmara Municipal do Montijo
Casa da Música, Câmara Municipal do Montijo

O problema da especulação

Se serve de trampolim para uma onda de maior investimento imobiliário, o novo aeroporto está também já a fazer disparar o preço dos imóveis. O próprio presidente da Câmara Municipal admite que “existem diversos fatores associados à implementação de uma infraestrutura aeroportuária e um deles é a especulação imobiliária que já se verifica neste momento” e onde se denota já “um aumento nos preços de venda das habitações”.

Os dados avançados ao idealista/news pela RE/MAX e SIR – Sistema de Informação Residencial revelam que o valor do preço/m2 no Montijo, entre 2013 e 2015, foi de 724,24 euros, enquanto os valores de preço/m2 atuais variam entre 1.014,00 euros e 1.077,11 euros, para os fogos usados, e entre 1.313,00 euros e 1.745,57 euros para fogos novos.

Investimentos mais além dos projetos residenciais

No Montijo existe igualmente uma procura por espaços para a instalação de projetos de retalho, comércio, escritórios, empresas da área logística, entre outros, de que é exemplo mais expressivo o Forum Montijo. E, como o idealista/news já tinha divulgado, nesta localização vai nascer uma das unidades hoteleiras do Grupo B&B Hotels que irá ser construída pelo Grupo Casais.

À boleia do anúncio do novo aeroporto, outro grande projeto que está na ordem do dia naquele concelho é protagonizado pelo Grupo Mello Saúde, que tem como objetivo a criação de uma clínica privada, num investimento que poderá vir a ascender ao 10 milhões de euros. O edil confirma esta realidade ao idealista/news: “O anúncio do novo Aeroporto do Montijo veio efetivamente reforçar o interesse dos promotores imobiliários e de investidores em diversas áreas, nas quais a saúde”.

Para Nuno Canta, o Montijo é, por tudo isto, “um concelho que tem sabido afirmar-se como um território atrativo para viver, investir e visitar”.