Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Travão nos preços das casas em Portugal este ano, antecipa S&P

Charlón on VisualHunt / CC BY-NC-NDCopy
Charlón on VisualHunt / CC BY-NC-NDCopy
Autor: Redação

Os preços das casas em Portugal vão continuar a subir, embora a um ritmo mais lento que nos últimos anos, seguindo a tendência generalizada que se vive na Europa, segundo as previsões da Standard & Poor’s (S&P). Depois do “boom”, espera-se que os preços cresçam 5% este ano e se fixem nos 4% em 2020-2021, tendo no primeiro trimestre de 2018 atingido um pico de 12%. As condições económicas devem manter-se “amplamente favoráveis”, tal como o apetite dos investidores estrangeiros.

A agência de notação financeira norte-americana diz que as casas em Portugal “ainda são relativamente baratas” e atrativas para os estrangeiros, face aos incentivos fiscais como os vistos gold ou estatuto de residentes não habituais de que podem usufruir no país.

E refere, no seu mais recente relatório, que os desequilíbrios entre a oferta e a procura persistem, uma vez que o investimento - ainda que avance a um ritmo acelerado - não é suficiente para fazer face às necessidades de habitação que ainda não recuperaram dos níveis anteriores à crise.

  2016 2017 2018* 2019** 2020** 2021**
Preços das casas(%) 7.7 10.5 7.9 5 4 4
PIB real(%) 1.6 2.7 2.3 1.9 1.7 1.7
Inflação(%) 0.6 1.6 1.2 1.5 1.7 1.8
Taxa de desemprego(%) 11.1 9.0 7.3 6.5 6 5.8

*Estimativa
**Previsão

O que explica o abrandamento dos preços

A subida de preços em 2018 recuou de forma evidente, passando de 12% nos três primeiros meses do ano, para 8%, no terceiro trimestre. Para esta desaceleração terão, segundo a S&P, contribuído as medidas macroprudenciais introduzidas pelo Banco de Portugal (BdP), que apertaram o cerco à concessão de crédito para a compra de casa, e a deterioriação da acessibilidade.

As conclusões da agência de notação financeira norte-americana, que procura traçar o panorama atual do mercado, notam que o aumento de preços acima do crescimento de rendimento disponível foi gradualmente “corroendo” a capacidade de compra dos compradores locais.

Para a atividade “dinâmica” no mercado contribuíram o crescimento económico estável, o recuo na taxa de desemprego e o aumento do rendimento familiar - fatores que continuam a sustentar a procura ativa de casa -, mas também o investimento estrangeiro, indica a S&P.

Procura externa continuará a sustentar o mercado

A S&P prevê um abrandamento no crescimento económico e um mais lento crescimento em termos de produtividade. “O mercado de trabalho deverá continuar a melhorar, ainda que os ganhos possam ser menores”, lê-se ainda no relatório.

A deterioração da acessibilidade e os “padrões de crédito mais rigorosos” sugerem ainda um abrandamento na procura, acrescenta a agênica, que aponta o enfranquecimento da procura de crédito à habitação como outra tendência.

As regras mais apertadas sobre o arrendamento de curto prazo podem vir a afastar alguns investidores domésticos e internacionais, ainda que outros fatores que estimulam o interesse dos compradores estrangeiros devam permanecer “em grande parte intactos”.