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Câmara do Porto quer manter “viva” a única casa do arquiteto Raul Lino na cidade

Autor: Redação

A Câmara Municipal do Porto (CMP) quer preservar aquela que será a única casa do malogrado arquiteto Raul Lino na cidade, tendo notificado o promotor de um empreendimento que previa a demolição deste edifício de que indeferirá o projeto, no caso do mesmo não ser alterado.

A posição foi assumida pelo vereador do Urbanismo, numa reunião com os interessados, após um parecer da Divisão de Património Cultural do município, que alertou para a importância da preservação da moradia, ainda que esta não esteja classificada, escreve o Público.

Em causa está uma casa construída nos anos 30 que está situada no gaveto da Rua de Ciríaco Cardoso com a Rua de Carlos Dubini, perto da Avenida da Boavista. Segundo o Público, a mesma não tem qualquer estatuto de proteção, apesar da autoria do projeto estar já comprovada desde 2014, altura em que a arquiteta Carla Garrido de Oliveira a descobriu, durante o trabalho de campo para a sua tese de doutoramento. 

Mas com a eventual demolição do imóvel, caso fosse aprovado um projeto de construção de seis andares/moradias no terreno, o destino deste patrimonio ter-se-à alterado.

Segundo a publicação, apesar de a denúncia pública do caso ter sido feita pelo Forum Cidadania Porto, grupo que tem estado atento ao destino de várias edificações “reabilitadas” um pouco por toda a cidade, é à associação NDMALO GE – Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro – Grupo Ecológico que os serviços do Urbanismo imputam a reclamação que deu origem a uma apreciação do projecto por parte da Divisão Municipal de Património Cultural (DMPC). Quando chamada a intervir, colocou em cima da mesa um argumento óbvio em favor da proteção desta casa: a sua “raridade” enquanto obra única, na cidade, de um dos maiores nomes da arquitetura do século XX.

“Acresce a esta consideração a circunstância de este edifício ter sido publicado no livro de Raul Lino sob o título Casa num subúrbio do Porto, onde [o arquiteto] apresenta os desenhos das plantas e uma perspetiva. Assinala-se também que não é por um edifício não estar presente na listagem sintética dos valores patrimoniais do PDM do Porto que possa ser objecto de demolição, pois outros aspetos são relevantes para a análise e posterior decisão, como valores de conjunto e de acompanhamento, ou outras considerações sobre aspetos da memória cultural dos portuenses, fundamentos que devem sempre estar presentes no âmbito dos enquadramentos urbanísticos e arquitetónicos que configuram as ações de licenciamento”, escreveu a DMPC.

Os técnicos da mesma divisão consideraram, “analisando a proposta arquitetónica para o local e atendendo à amplitude do lote (parcela) existente”, que “parece ser possível a concretização de um bom projeto de arquitetura, mantendo (com eventuais alterações pontuais) o edifício do Arq. Raul Lino, deixando espaços de intervalo entre o edifício preexistente e as possíveis construções que irão definir a esquina de um lado, e uma nova construção sobre a Rua de Carlos Dubini do outro lado”. 

E foi esta proposta que acabou por ser colocada em cima da mesa em abril pelo vereador do Urbanismo, Pedro Baganha, numa reunião com o novo promotor daquele empreendimento, a FMO Unipessoal, que comprou os direitos à Watersucess. O novo dono, segundo a autarquia, ficou de analisar a situação, mas o processo ainda não teve qualquer desenvolvimento, escreve o Público.