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Criar e melhorar os espaços de lazer em casa: as obras das famílias em tempos de Covid-19

"Houve efetivamente um acréscimo acentuado ao nível da procura deste tipo de soluções", explica Luís Martins, diretor operacional da Urban Obras.

Transformação de uma garagem numa área social / Urban Obras
Transformação de uma garagem numa área social / Urban Obras
Autor: Leonor Santos

Mais espaço dentro e fora de casa. Esta terá sido uma das frases mais ouvidas depois do confinamento. Muitas famílias repensaram as suas habitações, depois e ainda durante o período de estado de emergência, seja pelas necessidades decorrentes do teletrabalho ou telescola, ou pela falta de espaços ao ar livre para “respirar”. Desde remodelações, reabilitações ou decoração, as famílias decidiram pôr “mãos à obra” e transformaram algumas divisões da casa – ou até acrescentando outras. A pandemia fez com que muitas “criassem ou melhorassem espaços de lazer nas suas casas”, e trouxe “para a lista das prioridades melhorias e problemas que há muito vinham sendo adiados”,  tal como explica Luís Martins, diretor operacional da Urban Obras, em entrevista ao idealista/news.

“Após o levantamento do estado de emergência, as intervenções mais solicitadas pelos particulares foram ao nível da construção de piscinas e reabilitação ou remodelação de espaços exteriores como jardins, ou terraços”, refere o responsável, adiantando que a aproximação da época de férias e a “incerteza que reinava ainda sobre se seria possível ou não viajar” fez com que muitas famílias decidissem investir mais na casa, quer ao nível de interiores, quer ao nível exteriores.

Que tipo de intervenções/serviços mais foram requisitados em tempos de pandemia? Quais as principais necessidades das famílias? Luís Martins responde a estas e outras questões. A Urban Obras, recorde-se, é uma rede nacional de obras e arquitetura 100% portuguesa especialista em todo o tipo de obras, remodelações, reabilitações e decoração, tendo mais de 10 anos de experiência no setor.

O setor da construção em Portugal manteve-se ativo mesmo durante o estado de emergência provocado pela pandemia. Como é que a Urban Obras geriu as suas obras/projetos neste período mais crítico? 

Como é sabido não houve efetivamente paragem do setor, mesmo durante o período de emergência. Por isso, de modo a continuarmos a nossa atividade de forma segura e responsável, garantindo que em momento algum a saúde dos nossos colaboradores e clientes era posta em causa, implementámos todas as medidas exigidas pelas organizações de saúde. Reduzimos, de uma maneira geral, o pessoal em obra, organizado por equipas. Ou seja, num momento tínhamos apenas a equipa responsável pela eletricidade, noutro momento apenas a equipa responsável pela canalização, e assim sucessivamente. Desta forma, foi possível manter os trabalhos. Isto obrigou à reorganização do planeamento das obras e acabou por ter algum impacto na duração das mesmas, mas nada muito assinalável.

De igual forma, tivemos também de reduzir a interação presencial com os clientes, fazendo-o através das novas tecnologias sempre que possível. A preocupação foi sempre manter o melhor acompanhamento possível dos projetos, como é apanágio da Urban Obras. É de assinalar a enorme compreensão que sentimos por parte dos clientes em todos os reajustes que foi necessário fazer.

A Urban Obras é especialista em todo o tipo de obras, remodelações, reabilitações e decoração. Que tipo de intervenções/serviços mais foram requisitados depois do estado de emergência? 

Após o levantamento do estado de emergência, as intervenções mais solicitadas ao nível dos particulares foram ao nível da construção de piscinas e reabilitação ou remodelação de espaços exteriores como jardins, ou terraços. Reportando ao período, a aproximação da época de férias e a incerteza que reinava ainda sobre se seria possível ou não viajar em férias, levou a que muitas famílias criassem ou melhorassem espaços de lazer nas suas casas. Houve também procura ao nível de empresas e entidades ligadas à educação e ocupação de tempos livres que tiveram de reformular os espaços de modo a poderem retomar com a brevidade possível a sua atividade, cumprindo com as novas exigências.

"Após o levantamento do estado de emergência, as intervenções mais solicitadas ao nível dos particulares foram ao nível da construção de piscinas e reabilitação ou remodelação de espaços exteriores como jardins, ou terraços"

Muitas famílias passaram a trabalhar a partir de casa e isso trouxe novas necessidades em termos de espaços. Quais os espaços escolhidos para obras/remodelações? 

Os números maiores são referentes a remodelações de casas de banho e cozinhas, mas também tivemos pedidos para reformulação das áreas sociais das habitações. O facto de as famílias terem passado tanto tempo confinadas em casa, por um lado motivou um maior desgaste das próprias habitações, mas também trouxe para a lista das prioridades melhorias e problemas que há muito vinham sendo adiados e que passaram a ter maior impacto na utilização diária exaustiva.

Reabilitação e aproveitamento de piso inferior de uma moradia / Urban Obras
Reabilitação e aproveitamento de piso inferior de uma moradia / Urban Obras

Os projetos requisitados foram mais para interiores ou exteriores? 

Numa fase mais inicial do período pandémico, conforme referido, o destaque vai para as obras exteriores, mas no decorrer do desconfinamento, as obras interiores ganharam a relevância habitual.

A propósito disso, e face ao novo contexto e regras, perante a chegada do verão, registou-se um aumento da procura para instalação de piscinas? 

A procura de instalação de piscinas sofre todos os anos um acréscimo natural a partir de março. Mas conforme já referimos, este ano, devido ao confinamento e dadas as incertezas referentes ao período de férias, houve efetivamente um acréscimo acentuado ao nível da procura deste tipo de soluções de lazer, bem como todo o tipo de implementações e remodelações de zonas exteriores: terraços, churrasqueiras, aplicação de decks, melhoramentos de jardins, etc..

"Houve efetivamente um acréscimo acentuado ao nível da procura deste tipo de soluções de lazer, bem como todo o tipo de implementações e remodelações de zonas exteriores: terraços, churrasqueiras, aplicação de decks, melhoramentos de jardins, etc.."

Referem que no final de mês de junho o crescimento dos pedidos já foi superior a 200% face ao mês de abril e a perspetiva é de fechar o mês de julho com um número ainda superior ao homólogo. Já conseguem dar-nos esses dados? Que balanço fazem da atividade? 

Em julho crescemos 26% face ao período homólogo de 2019. Os momentos com contração económica, sempre foram potenciadores para o nosso negócio. Estamos novamente a assistir a este fenómeno, que é originado por uma valorização do património imobiliário existente, recorrendo à reabilitação e atualização do mesmo pela via das obras.

Decidiram reforçar a vossa atuação no sul do país, com a abertura de mais um atelier no Algarve, nomeadamente em Portimão. Esta abertura já estava prevista ou ganha impulso com a pandemia? 

Esta abertura já estava prevista e veio dar continuidade ao nosso plano de expansão. Com o cenário atual, esperamos encontrar mais parceiros para fazer face à procura.

Reabilitação e aproveitamento de piso inferior de uma moradia / Urban Obras
Reabilitação e aproveitamento de piso inferior de uma moradia / Urban Obras

Porquê o Algarve e a zona sul? 

O parque imobiliário do Algarve regista um nível de degradação algo acentuado, sendo necessária a sua reabilitação. Por outro lado, tem um enorme potencial de construção nova de moradias por ser uma zona de grande investimento imobiliário tanto nacional como estrangeiro. A dinamização natural do mercado imobiliário nesta zona leva também a que muitos proprietários, após a compra de um imóvel, queiram renová-los e customizá-los à sua imagem.

Temos uma grande expetativa face ao valor que a Urban Obras irá acrescentar no Algarve, nomeadamente no concelho de Portimão, que é a região onde a nova unidade irá privilegiar a sua atuação. No entanto, mesmo com a abertura deste novo atelier, não conseguimos corresponder a toda a procura que temos, mas estamos a duplicar a nossa capacidade de resposta.

Quantas unidades têm no país atualmente? Têm mais alguma abertura prevista? 

Contamos atualmente com 28 ateliers. Vamos abrir em breve em Viseu e temos a perspetiva de fechar ainda mais um contrato até ao final do ano.