Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Casa T: uma casa para pessoas trans imigrantes que nasceu em Lisboa em plena pandemia

A iniciativa está a ser financiada, para já, através de um crowdfunding no site de angariação de fundos Gofundme.

Imagem meramente ilustrativa / Photo by Brian Kyed on Unsplash
Imagem meramente ilustrativa / Photo by Brian Kyed on Unsplash
Autor: Redação

Uma casa “construída” por pessoas trans e imigrantes para pessoas trans e imigrantes. Assim se apresenta a Casa T, um projeto nascido em plena pandemia numa tentativa de dar resposta à crise habitacional “particularmente insustentável” para pessoas em situações marginalizadas. A iniciativa não tem apoio estatal e tem sido financiada através de um crowdfunding no site de angariação de fundos Gofundme, sendo que o seu objetivo é pagar a caução e as primeiras rendas.

Aquilla, que veio do Brasil para Lisboa, há três anos, é uma das fundadoras deste projeto inédito. “Até aqui, sinto que nós estávamos muito sós, cada uma remando no seu percurso. E a intenção da Casa T é que a gente possa, de nós para nós, nos cuidarmos, nos olharmos e dialogar com mais pessoas”, explicou em declarações ao jornal Público.

“A gente não era bem cuidada, finalizando com a expulsão, o despejo. É necessário educar os senhorios para que saibam que somos seres humanos normais, que podemos habitar uma casa, pagar e cuidar da mesma forma que um corpo cis [cisgénero, alguém com a mesma identidade de género que lhe foi atribuída à nascença, em oposição a uma pessoa transgénero]”, acrescenta.

Luano, outro membro e fundador, adianta ainda que a Casa T pretende criar uma rede com potencial de crescimento e que sirva de espaço de habitação permanente e espaço de trabalho aos seus membros. Segundo o responsável, as pessoas racializadas e imigrantes são discriminadas mesmo dentro de outras iniciativas de apoio à comunidade LGBTI, daí a necessidade de se criarem alternativas, de acordo com o próprio.

Depois de a Casa T fortalecer raízes, o próximo passo será replicar o modelo. Para já, este local tem espaço para seis pessoas, e só conseguirá acolher alguém que entre em contacto direto e esteja numa situação de urgência extrema, como risco de despejo, uma vez que ainda não estão reunidas todas as condições para o seu funcionamento pleno.