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Rendas das casas travam a fundo no 2º trimestre por causa da pandemia – só subiram 0,2%

INE revela análises trimestrais pela primeira vez para avaliar o impacto da Covid-19 no mercado de arrendamento. Em Lisboa, os preços caíram 6,4%.

Photo by Victoire Joncheray on Unsplash
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Autor: Redação

No primeiro trimestre de 2020, o valor mediano das rendas dos novos contratos de arrendamento em Portugal subiu 10% face ao período homólogo. Mas com a chegada da pandemia, o ritmo de crescimento travou a fundo, e acabou quase “congelado” no segundo trimestre. De abril a junho, e apesar da variação ser positiva, o valor mediano das rendas fixou-se nos 5,41 euros por metro quadrado (m2), um aumento marginal de apenas 0,2% face ao mesmo trimestre do ano passado.

Os dados foram divulgados esta quinta-feira, 24 de setembro de 2020, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), e revelam que, no 2º trimestre do ano, “o valor mediano das rendas dos 13.772 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares em Portugal atingiu 5,41 €/m2”. “Este valor representa um aumento, face ao período homólogo de 2019, de apenas 0,2%, muito abaixo da taxa de variação homóloga observada no 1º trimestre que se cifrou em 10%“, nota o relatório.

Esta é a primeira vez que o gabinete de estatísticas público revela os resultados trimestrais dos valores medianos das rendas e do número de novos contratos. O INE diz que “o impacto socioeconómico da pandemia Covid-19” justifica a análise desagregada do primeiro e do segundo trimestre, e que esta “opção permite uma análise das dinâmicas mais recentes do mercado de arrendamento”, ainda que condicione “a apresentação de resultados para pequenos domínios territoriais”.

A análise revela, assim, uma travagem a fundo na subida dos preços das rendas do primeiro para o segundo semestre do ano em todo o país. Na prática, e apesar do  crescimento de 4,8% no número total de novos arrendamentos no segundo trimestre, para um total de 13.772 contratos, as rendas registaram um crescimento marginal de apenas 2%.

Lisboa: rendas caem 6,4% na cidade mais cara do país

A análise da relação entre o valor mediano de rendas e a taxa de variação homóloga para os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, “evidencia que todos os municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto (com exceção de Santa Maria da Feira na AMP) registaram valores medianos de rendas superiores ao referencial nacional, mas variações de valor diferenciadas face ao período homólogo”, nota o INE.

No segundo trimestre do ano, os preços caíram em vários municípios de grande dimensão, nomeadamente em Lisboa, a cidade mais cara do país para arrendar casa: na capital as rendas caíram 6,4%, fixando-se em 11,36 euros por m2. Em Cascais, a renda mediana também caiu 10,1%, assim como no Porto (-1,1%) e Oeiras (-0,1%), ainda que com reduções ligeiras. Em sentido inverso, com aumento dos valores de rendas, destacaram-se Loures (+15,7%), Amadora (+11,6%) e Odivelas (+8,5%).

Relativamente aos municípios com mais de 100 mil habitantes localizados fora dos limites das áreas metropolitanas, apenas Coimbra e Funchal apresentaram valores de rendas superiores ao nacional, tendo ambos registado uma redução dos valores de arrendamento em novos contratos (-1,3% e -5,8%, respetivamente).

Número de novos contratos sobe no 1º semestre

No 1º semestre de 2020, o valor mediano das rendas dos 74.088 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares em Portugal atingiu os 5,47 €/m2 , um aumento de 9,4%, face ao período homólogo - no semestre passado, essa taxa tinha sido de +10,8%. Pela primeira vez, e desde o início da série (2º semestre de 2017), verificou-se um aumento no número de novos contratos celebrados relativamente ao mesmo período do ano anterior: +3,8% (-6,4% no semestre anterior), ressalva o INE.

À semelhança de semestres anteriores, a Área Metropolitana de Lisboa concentrou cerca de um terço dos novos contratos de arrendamento (24.185). As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto representaram, em conjunto, 50% do total de novos contratos do país e o Algarve 5,8%. O Alto Tâmega, por sua vez, apresentou o menor número de novos contratos de arrendamento (435).

Durante este período, 35 municípios apresentaram rendas acima do valor nacional. Lisboa apresentou o valor mais elevado do país (11,92 €/m2 ), destacando-se ainda, com valores iguais ou superiores a 7 €/m2 , Cascais (10,58 €/m2 ), Oeiras (10,35 €/m2 ), Porto (8,93 €/m2), Amadora (8,74 €/m2 ), Odivelas (8,06 €/m2 ), Almada, (8,01 €/m2 ), Matosinhos (7,76 €/m2 ), Loures (7,54 €/m2 ), Albufeira (7,29 €/m2 ), Loulé (7,20 €/m2 ), Sintra (7,10 €/m2 ), Lagos (7,08 €/m2 ) e Portimão (7,02 €/m2 ).