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Ocupação no AL no Porto ronda os 10% este inverno

Clientes, “nacionais ou estrangeiros”, estão a preferir alojamento para “um, dois, três, quatro meses”, diz presidente da ALEP.

Imagem de alexanderfriedrichmsc por Pixabay
Imagem de alexanderfriedrichmsc por Pixabay
Autor: Lusa

A ocupação no Alojamento Local (AL) no Porto ronda este inverno os 10% e os poucos clientes são pessoas que podem trabalhar remotamente e escolhem Portugal para o fazer, disse o presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal (ALEP), Eduardo Miranda.

“Nesta altura de inverno, as ocupações [na cidade do Porto] são na ordem dos 10% ou 12%. No limite, chega aos 14% nalgumas semanas, mas estamos a falar de ocupações baixíssimas, praticamente quase sem ocupação”, avançou o responsável à Lusa.

Em entrevista telefónica, a propósito da situação atual do AL no Porto devido à pandemia da Covid-19, Eduardo Miranda explica que os atuais clientes, “nacionais ou estrangeiros”, estão a preferir alojamento para “um, dois, três, quatro meses”, ou seja, optam por uma ocupação de média duração.

“A tendência são nómadas digitais: empresários da área digital que podem viver em qualquer país e têm escolhido Portugal”, revela Eduardo Miranda, acrescentando que também têm aparecido pessoas que podem trabalhar remotamente em qualquer lado.

Há também um número residual de clientes nacionais que, por “alguma necessidade específica” precisam duma casa, seja por causa de obras, divórcio, ou colocação de professores em escolas.

Porto “sofre mais” que Lisboa com a crise pandémica

Segundo o presidente da ALEP, o Porto está a “sofrer mais” que Lisboa com a crise pandémica “nestes últimos meses”, precisamente porque o tipo de público do AL para média duração – nómadas digitais – prefere ir para a capital.

O Porto, todavia, teve um “desempenho um pouco melhor que Lisboa” no início da crise pandémica e no verão. A explicação mais “fácil e direta” que Eduardo Miranda elenca relaciona-se com o “ciclo dos surtos” do novo coronavírus.

Na fase do verão, Lisboa foi um dos focos principais de surtos de Covid-19 e o Porto ficou “um pouco salvaguardado”.

O facto de ter havido procura turística pelo interior na região Norte – Douro, Minho, Gerês – também deu ao Porto “algum ganho marginal”, por ser a “porta de entrada” e o “elo de ligação com essas regiões”.

“Vacina é a grande solução”

Para o presidente da ALEP, a “vacina é a grande solução” para se voltar a ter “um turismo normal” e só com a imunidade de grupo “bastante desenvolvida nos vários países da Europa, pelo menos”, é que vai voltar a haver “confiança a nível nacional e internacional” e perspetivas de retoma.

“O que está previsto é que isso [a imunidade de grupo] só comece a acontecer no final do verão, portanto, é provável que o verão já veja algum início de retoma do mercado nacional, mais ainda bastante gradual”, observou.

Na opinião de Eduardo Miranda, talvez no último trimestre do ano de 2021 se comece a sentir uma “retoma continua e consistente”.

No Porto, os últimos dados da taxa turística de 2019 referem que o AL representou 62% das dormidas na cidade enquanto em Lisboa representou cerca de 45% das dormidas.

Um estudo da ALEP a que a Lusa teve acesso indica que a ocupação turística do AL em Portugal ficou nos 23% em 2020 e que a faturação teve uma quebra superior a 70%, tendo nos centros urbanos sido superior a 80%.

Segundo o mesmo estudo, o AL representou quase 40% das dormidas nacionais em 2019, com 55 mil famílias portuguesas a depender da atividade de AL.