Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

O futuro da construção é digital: casas com menos custos, mais eficientes e adaptáveis aos novos usos

Transição digital e climática é determinante para o setor. Paulo Vieira Fonseca, Diretor Executivo do BUILT CoLAB, explica porquê em entrevista ao idealista/news.

David McBee/Pexels
David McBee/Pexels
Autor: Leonor Santos

O futuro da construção passa necessariamente pela promoção da transição digital e climática dos edifícios e infraestruturas, tornando-os adaptáveis, inteligentes, resilientes e mais sustentáveis. Esta mudança de paradigma, que passa pela industrialização e incorporação das tecnologias digitais no setor “terá de se implementar em larga escala em Portugal”, na opinião Paulo Vieira Fonseca*, Diretor Executivo do BUILT CoLAB, um laboratório colaborativo que nasceu com o objetivo de apoiar as empresas a encontrarem as soluções que melhor dão resposta a estes novos desafios. Esta mudança estrutural de paradigma, diz em entrevista ao idealista/news, permitirá casas com “prazos e custos de construção menores, mais eficientes do ponto de vista energético, com considerações de circularidade, e mais adaptáveis aos usos atualmente requeridos”.

Para Paulo Vieira Fonseca, o setor da Arquitetura Engenharia e Construção (AEC), continua com um “gap” tecnológico muito elevado relativamente a outras indústrias. As principais razões para esta ineficiência, de acordo com o responsável, estão ligadas ao facto de a construção ter como produto final algo que é produzido no local da obra. “Produzir em fábrica ('off-site') em ambiente controlado, com potencialidades de modularização, robotização e, consequentemente, de digitalização mais ’fácil’, são os grandes 'drivers' para a industrialização do setor”, explica.

Na opinião do Diretor Executivo do BUILT CoLAB, para aumentarem a sua eficiência e consequentemente a sua competitividade, as empresas vão ter de digitalizar-se. “O setor tem de adaptar-se, cada vez mais, aos usos que as pessoas pretendem do espaço construído. O foco na mudança dos hábitos das pessoas deverá ser seguido muito de perto pelo setor e este deve ser capaz de se adaptar rapidamente a essas mudanças”, defende.

Paulo Vieira Fonseca acredita que, no futuro imediato, haverá uma simbiose entre o espaço habitacional e os espaços de escritórios “o que irá levar a que o setor tenha de apresentar soluções distintas das atuais”. A falta de habitação nas cidades “é notória”, analisa, e os novos espaços, e mesmo os bairros, vão ter características diferentes. Também a deslocalização das pessoas para zonas mais “verdes” e onde o custo da habitação é menor “irá fazer com que as questões relacionadas com a mobilidade tenham ainda uma maior importância”. A seu ver as “preocupações com a qualidade ambiental do espaço construído vão ter uma importância acrescida num futuro próximo”.

Afinal, por que é que a digitalização é um dos maiores desafios da construção? Quais são as áreas mais críticas e prioritárias a trabalhar? Como é que o BUILT CoLAB pretende dar resposta a este desafio? Como é que pode ajudar as empresas e fazer a diferença no mercado? Paulo Vieira Fonseca responde a estas e outras questões numa entrevista, por escrito, que agora reproduzimos na íntegra.

Paulo Vieira Fonseca, Diretor Executivo do BUILT CoLAB
Paulo Vieira Fonseca, Diretor Executivo do BUILT CoLAB

O setor da AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção), e sobretudo a área da construção, muitas vezes é associado a uma imagem conservadora. Porquê? O que há a fazer para mudar?

De facto, o setor da construção tem uma imagem conservadora onde a inovação do produto final ou dos processos associados não tem acompanhado outros setores. É reconhecido que existe um gap de produtividade que é cerca de 1,7 vezes inferior ao da indústria transformadora. As principais razões para esta ineficiência estão ligadas ao facto de a construção ter como produto final algo que é produzido no local da obra. Produzir em fábrica (“off-site”) em ambiente controlado, com potencialidades de modularização, robotização e, consequentemente, de digitalização mais “fácil”, são os grandes drivers para a industrialização do setor. Esta mudança de paradigma é algo que temos vindo a observar em outros países e que terá de se implementar em larga escala em Portugal.

Algumas das grandes empresas de construção nacional estão já a introduzir esta mudança do modelo da construção, incorporando as vantagens competitivas da digitalização.

Algumas das grandes empresas de construção nacional estão já a introduzir esta mudança do modelo da construção, incorporando as vantagens competitivas da digitalização. Esta mudança estrutural irá proporcionar habitações com prazos e custos de construção menores, mais eficientes do ponto de vista energético, com considerações de circularidade, e mais adaptáveis aos usos atualmente requeridos.

Apesar disso, a pandemia veio provar que é um dos setores mais resilientes. O que contribuiu para este resultado? Quais os pontos fortes e (ainda) fracos do setor?

Olhando para os dados disponibilizados nos últimos meses pelas associações do setor, vemos que há alguns motivos que contribuíram para esta resiliência durante a pandemia. Em primeiro lugar, foi um setor que não parou, não confinou, pelo que manteve o seu ritmo de trabalho, dando resposta às necessidades da construção. Em segundo lugar, beneficiou do clima de expansão que se vinha a sentir, nomeadamente com forte investimento imobiliário a nível residencial, mas também do investimento público que vinha a ser efetuado na construção. Estes dados, fizeram com que, quer o Banco de Portugal, quer a Comissão Europeia, tenham considerado o setor como resiliente. Foi capaz de manter a sua atividade, os seus postos de trabalho e dar o seu input extremamente positivo à economia nacional.

Como convivem a arquitetura, a engenharia e a construção atualmente? E como deveria ser no futuro, imediato e mais longo prazo?

O setor AEC está cada vez mais unido no sentido de se atingirem as mudanças já referidas. A conceção e o design das construções está a progredir no sentido de se obterem soluções mais adequadas aos objetivos da transição climática e da transição digital. Por exemplo, o conceito de circularidade na construção começa na conceção e no projeto, prolongando-se pela construção e exploração dos edifícios e infraestruturas construídas.

O conceito de circularidade na construção começa na conceção e no projeto, prolongando-se pela construção e exploração dos edifícios e infraestruturas construídas.

Hoje começa-se cada vez mais a atuar de forma colaborativa em todas as fases descritas do processo construtivo. Um outro exemplo é este: do ponto de vista dos materiais utilizados exige-se cada vez mais que os mesmos tenham desempenhos estruturais e funcionais mais elevados, ou seja, que tenham um ciclo de vida superior para aumentar a referida circularidade no setor. No futuro, o setor tem de adaptar-se cada vez mais aos usos que as pessoas pretendem do espaço construído. O foco na mudança dos hábitos das pessoas deverá ser seguido muito de perto pelo setor e este deve ser capaz de se adaptar rapidamente a essas mudanças.

Quais os efeitos que a pandemia está a ter no setor? São conjunturais ou estruturais?

Os efeitos e as reações das pessoas à pandemia apontam para uma mudança nos hábitos e consequentemente nos usos das habitações e também nos escritórios. Pensa-se que no futuro imediato haverá uma simbiose entre o espaço habitacional e os espaços de escritórios o que irá levar a que o setor tenha de apresentar soluções distintas das atuais. A falta de habitação nas cidades é notória e os novos espaços, e mesmo os bairros, vão ter características distintas das atuais. Também a deslocalização das pessoas para zonas mais “verdes” e onde o custo da habitação seja menor irá fazer com que as questões relacionadas com a mobilidade tenham ainda uma maior import ância. Em resumo, as preocupações com a qualidade ambiental do espaço construído vão ter uma importância acrescida num futuro próximo. As soluções de construção baseadas na natureza vão representar uma mudança no setor.

As preocupações com a qualidade ambiental do espaço construído vão ter uma importância acrescida num futuro próximo.

A digitalização é um dos maiores desafios? Porquê? Quais as áreas mais críticas e prioritárias a trabalhar?

A transição digital é de facto o maior desafio em muitos setores e é também na construção que, como referido, tem um gap tecnológico muito elevado relativo a outras indústrias. Para aumentar a sua eficiência e consequentemente a sua competitividade, as empresas vão ter de se digitalizar. A este nível iremos assistir a mudanças significativas em todo o processo construtivo. A colaboração em tempo real entre todos os stakeholders, a digitalização dos processos construtivos, a introdução do conceito do Digital Twin (largamente utilizado na indústria denominada “chão de fábrica”), dos sistemas de apoio à decisão com base em algoritmos e em alarmística, vão permitir que os projetos se executem nos prazos previstos, o que representará uma enorme redução dos denominados custos de contexto (retrabalho, desperdícios, tempos de paragem, etc.).

Esta transição digital é algo que já está interiorizado ao nível das administrações das empresas. Com os apoios estruturais que irão ser colocados à disposição das empresas para apoio à inovação, é chegado o momento de colocar em prática essa mudança. Na base dessa mudança estará a adoção em Portugal, por todos os intervenientes no processo construtivo, da metodologia BIM. Para que este desígnio se torne realidade é necessário que exista legislação, que obrigue a sua utilização ao nível das obras públicas, e que os promotores individuais continuem o seu caminho, ampliando e fomentando cada vez mais a sua utilização. Paralelamente, terá de existir por parte da academia um ajuste ao nível da formação profissional e académica, por forma a formar técnicos em todos os níveis do processo construtivo que ajudem à prossecução deste objetivo.

Como é que o BUILT CoLAB pretende dar resposta a este desafio? Nasceu com que propósito?

O BUILT CoLAB foi criado, com apoio e financiamento da ANI e da FCT, para desenvolver atividades de investigação e inovação, com o objetivo de promover a digitalização para aumentar a produtividade, a competitividade e incentivar o crescimento sustentável do setor AEC. Simultaneamente visa também promover a transição digital e climática dos edifícios e infraestruturas e apoiar as empresas a encontrarem as soluções que melhor dão resposta aos desafios da sustentabilidade.

A nossa agenda de I&D assenta na procura pelas melhores soluções ao longo de todo o ciclo de vida do ambiente construído, incluindo arquitetura, design e fabricação data-driven

Tendo em conta esses objetivos, a nossa agenda de I&D assenta na procura pelas melhores soluções ao longo de todo o ciclo de vida do ambiente construído, incluindo arquitetura, design e fabricação data-driven, promovendo a digitalização de todo o ecossistema assente na metodologia BIM e nas tecnologias que promovam a utilização do Digital Twin em ambiente de fábrica ou estaleiro, na gestão e manutenção de infraestruturas e edifícios e sua desconstrução e circularidade. Temos ainda como objetivos a promoção da modularização da construção de edifícios desde a fase do design, integração da robotização e impressão 3D na produção em fábrica, terminando no desenvolvimento de tecnologias inovadoras de montagem em obra.

Como é que Portugal pode aumentar a sua competitividade nesta matéria?

Portugal tem hoje uma oportunidade histórica de poder iniciar o caminho da transformação do Setor AEC. Os pilares da transição digital e transição climática, com uma aposta sustentada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que prevê um investimento de cerca de 3 mil milhões de euros para apoiar a transição digital do país ao nível dos organismos do Estado e das empresas portuguesas, será com certeza um motor para aumentar a competitividade no mercado europeu. Associado a este importante PRR estão ainda alguns fundos do Portugal 2020, Portugal 2030 e do Horizonte Europa.

Ao nível da transição climática, existem também apoios ao nível do PRR e documentos estratégicos, como o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, cujas metas impostas irão contribuir para alavancar o ecossistema do setor AEC. Estas oportunidades únicas podem ser utilizadas para aumentar a competitividade do setor no País. O primeiro passo será a digitalização (o que só por si é já um grande desafio). Em paralelo, torna-se imprescindível apostar em inovação e em capitalizar investigação fundamental em produtos e serviços altamente competitivos. A qualidade do trabalho das nossas Universidades e Centros de Investigação tem que ser aproveitada. Esta é uma das missões do BUILT CoLAB: a investigação aplicada desenvolvida em ambiente colaborativo.

E as empresas - sobretudo as de pequena e média dimensão?

O ecossistema do setor AEC é constituído por mais de 90% de empresas de pequena e média dimensão. Também a este nível a aposta na digitalização através, por exemplo, da implementação das metodologias BIM e consequentemente da robótica, da impressão 3D, da realidade virtual e aumentada, da aposta na recolha de dados provenientes da sensorização dos produtos da cadeia de valor da construção serão fundamentais para que o seu posicionamento a nível nacional e internacional contribuam para a sua sustentabilidade e crescimento. É uma aposta do BUILT CoLAB potenciar o crescimento de start-ups tecnológicas no setor, ou seja, as ConTech, tecnológicas direcionadas para a construção.

 “O BUILT CoLAB pauta-se ainda por uma filosofia de balcão único”. O que é o balcão único? Como é que funciona? A quem se dirige?

Muito na ótica dos Pólos de Inovação Digital (Digital Innovation Hubs), o BUILT CoLAB reconheceu desde a sua criação a importância de apoiar o setor de forma que estes agentes não tenham de procurar por entidades específicas para resolver os seus problemas ou para sugerir oportunidades de melhoria ou inovação. O conceito “one stop shop” tem como objetivo garantir que, recorrendo apenas a uma entidade (como o BUILT CoLAB) que representa várias outras ou que dispõe de uma larga rede e de conhecimento de ponta, se consiga dar resposta a um determinado desafio. Por um lado, tem como objetivo simplificar o acesso à digitalização a empresas de baixo grau de maturidade digital, que de outra forma não saberão a quem se dirigir. Por outro lado, também tem como objetivo ser um “local” onde se consegue garantir que a “qualidade” das soluções oferecidas dispõe de elevados padrões de excelência, que permitirão às empresas melhorar a sua competitividade e desta forma promover, por exemplo, a internacionalização.

É, portanto, uma solução altamente inclusiva que visa resolver o problema mais elementar das pequenas empresas com baixa maturidade digital, mas que também pretende ajudar as grandes empresas que pretendem apostar em inovação de ponta para se tornarem mais competitivas e se lançarem em mercados mais competitivos.

Alinhado com esta estratégia e alargando o seu âmbito a todo o ambiente construído, o BUILT CoLAB é um dos principais promotores de uma candidatura aos Pólos de Inovação Digital, que junta o Cluster AEC, o Cluster dos Recursos Minerais e o Cluster da Ferrovia. Juntos, nesta ótica de “balcão único”, este consórcio tem a expetativa de alargar este conceito no seu espetro de atuação e de estender a sua atuação à Europa, através de Digital Innovation Hubs.

Referem que o BUILT CoLAB pauta-se por uma abordagem “Technology to Market”. Podem explicar melhor esta ideia?

Um dos objetivos do BUILT CoLAB é a agregação de centros de saber, indústria e utilizadores finais, para promoverem, em conjunto, um modelo de cocriação comum que irá desenvolver soluções concretas para a transformação do ambiente construído do futuro como um todo, desde edifícios a infraestruturas de transporte.

A função do BUILT CoLAB é ir buscar à academia soluções inovadoras, já com provas de conceito realizadas, acrescentar a tecnologia necessária e ajudar as empresas a testar em “pilotos reais”

Assim, em parceria com redes nacionais e internacionais de referência, procuramos adotar as melhores tendências e práticas tecnológicas, posicionando-nos como como incubadores e demonstradores da sua maturidade, para mais facilmente promovermos a transferência de conhecimento e tecnologia desenvolvidos, sobretudo a nível académico ou científico, funcionando como alavanca para novas abordagens e soluções, que possam ser implementadas em utilização real pelo mercado. Ou seja, a função do BUILT CoLAB é ir buscar à academia soluções inovadoras, já com provas de conceito realizadas, acrescentar a tecnologia necessária e ajudar as empresas a testar em “pilotos reais”, minimizando o risco da entrada no mercado de produtos ou soluções inovadoras.

A associação será promotora de dois projetos de referência no setor e financiados pela União Europeia, um SIAC, denominado Future of Construction, e um Mobilizador, o Rev@Construction. Que projetos são estes?

O FoC – Future of Construction, é um projeto de qualificação do setor que visa, entre outros, três objetivos fundamentais, a elaboração de um Plano de Transição Digital para o setor AEC, a elaboração de uma Agenda para a Neutralidade Carbónica e a Qualificação dos RH do setor, certificando competências e disseminando o conhecimento. É um projeto de 516 mil euros e que se iniciou, efetivamente, neste mês de abril.

O projeto Rev@Construction, é um projeto Mobilizador para o setor AEC, cujo foco é a Digital Construction Revolution. É um projeto que foi submetido em 2019 e que atualmente conta com um investimento de 8,5 milhões de euros, 20 entidades copromotoras divididas pela indústria – PME´s e grandes empresas, pela academia e pelo BUILT CoLAB, que em paralelo, é também responsável pela coordenação e disseminação do projeto.

Estes dois projetos são estratégicos para ajudar o setor a acompanhar os desígnios das transições digitais e climáticas que se tem referido. Serão criados documentos estratégicos e estabelecidas as bases da digitalização do setor através, por exemplo, da criação de uma base de dados nacional para estabelecimento dos preços das atividades de construção, a definição das bases para a implementação da metodologia BIM em Portugal. A este nível, o setor conta com o apoio do Governo, nomeadamente com a Secretaria de Estado da Economia, da Secretaria de Estado das Infraestruturas e Secretaria de Estado da Habitação. De realçar também o papel do IMPIC que será sempre o nosso parceiro no apoio da transição digital de todo o setor.

Refere que o Plano de Recuperação e Resiliência prevê grandes investimentos no importante tema da Reabilitação de Edifícios e da Construção Modular a custos controlados e na Eficiência Energética e que “serão tempos de grandes oportunidades”. Em que medida?

Tal como já referido, o PRR irá ter um impacto muito significativo no setor da construção. Analisando todas as 36 reformas e os 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, que totalizam 13 mil milhões de euros, poderemos afirmar que o setor AEC estará direta ou indiretamente envolvido em cerca de 40% deste valor, o que evidencia a importância deste instrumento para o nosso ecossistema.

No pilar resiliência estão inscritos 1.6 mil milhões para a criação e reabilitação da habitação, para o SNS, onde estão incluídas verbas para a ampliação e construção de novos hospitais, está inscrita uma verba de 1,0 mil milhões de euros. Ainda neste pilar e na área das infraestruturas está incluída uma verba de 0,8 mil milhões de euros. Estes investimentos, nomeadamente em habitação, têm uma parte significativa de reabilitação e de construção nova e que prevê que grande parte possa contribuir para a industrialização do setor AEC, sobretudo no que se refere à construção modular. No pilar da transição climática a eficiência energética dos edifícios tem previsto um investimento de 0,6 mil milhões de euros. Os restantes investimentos onde o setor poderá contribuir situam-se ao nível da mobilidade sustentável, no pilar transição climática, e nas empresas 4.0, no pilar transição digital.

Face a este montante total de investimentos, o setor terá o grande desafio de poder fazer cumprir os objetivos, mas mudando a sua estratégia de atuação, apostando na I&D de novos produtos e soluções construtivas visando de forma objetiva aumentar a sua competitividade a nível internacional.

Que empresas já se associaram à BUILT CoLAB? Quais as vantagens e custos em aderir?

O BUILT CoLAB tem neste momento 20 Associados: 10 empresas, 8 da Academia ou Entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, e 2 Clusters: A400, André Brito Caiado Arquitectura Lda, BIMMS, Lda., Grupo ACA, Grupo Casais, Mota-Engil, OUZO Engenharia, Secil, Teixeira Duarte, 3 Drivers, FEUP, INESC TEC, IP Leiria, IST, ISEL, Itecons, LNEC, UMinho, PTPC - Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção e Plataforma Ferroviária Portuguesa.

Convém referir que, por motivos relacionados com o regulamento dos Laboratórios Colaborativos, não é possível aceitar mais associados fundadores. No entanto, o BUILT CoLAB encontra-se disponível para acolher desafios de qualquer agente do setor AEC ou conexo, que possam resultar na realização de projetos, prestações de serviços ou protocolos de colaboração, envolvendo, se se verificar pertinente, os associados ou entidades externas relevantes.

*Paulo Fonseca é licenciado em Engenharia Civil no IST. Teve um percurso profissional que se iniciou como projetista, foi gestor de empreendimentos em algumas empresas públicas, participou na criação de empresas ligadas às indústrias de reciclagem e foi assessor da administração de uma empresa de construção. É atualmente Diretor Executivo do BUILT CoLAB e vogal da Comissão Executiva da PTPC (Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção).