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Empresas vendem imóveis para ganhar liquidez e ficam como inquilinas

Negócios de sale&leaseback (S&L) subiram na pandemia e a tendência deverá continuar.

Foto de The Coach Space no Pexels
Foto de The Coach Space no Pexels
Autor: Redação

As operações imobiliárias de sale&leaseback (S&L) têm sido a boia de salvação de muitas empresas, que procuram vender os seus imóveis para ganhar liquidez e ficarem como inquilinas dos espaços. Este tipo negócios subiu significativamente durante a pandemia e os especialistas acreditam que esta tendência deverá continuar, sobretudo, nas áreas do retalho e hotelaria, setores mais afetados pela crise.

Segundo a notícia avançada pelo Dinheiro Vivo, no ano passado, as grandes consultoras que operam no país registaram operações que, no acumulado, ultrapassaram os 500 milhões de euros. A CBRE efetivou nove transações neste modelo, num volume de negócios que rondou os 235 milhões de euros. A C&W concretizou cinco operações, que geraram vendas globais de 155 milhões. Já a JLL esteve envolvida em oito operações de S&L, em torno dos 150 milhões de euros, escreve a publicação.

Para Nuno Esteves, investment development associate da Savills, é muito provável que os segmentos mais afetados pela pandemia, como turismo ou retalho, decidam avançar com operações de S&L como estratégia de recapitalização e garante mesmo que não faltarão compradores. Uma opinião partilhada por Nuno Nunes, diretor de capital markets da CBRE, que defende a existência de “um contexto de mercado particularmente favorável para a venda de ativos com contratos longos e com bons inquilinos.”

Fernando Ferreira, diretor de capital markets da JLL, refere, também, que "continua a haver muita liquidez por parte de investidores e escassez de produto" e que "este desequilíbrio tem contribuído para segurar o valor dos ativos". Ainda assim, Paulo Sarmento, partner da Cushman & Wakefield (C&W), adianta que essa resiliência "depende muito da categoria de ativos", sublinhando que os valores têm mantido alguma estabilidade no setor dos escritórios nos imóveis considerados "mais seguros", mas já "não tanto para os ativos mais arriscados".