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Ktesios vai começar a comprar imóveis fora das grandes cidades portuguesas para arrendar

Até 2025, a socimi espanhola pretende adquirir 3.000 novos ativos na Península Ibérica e espera atingir 300 milhões de euros em valor de mercado.

Ktesios socimi
Henry Gallego, presidente e CEO de Ktesios Socimi e de RKS-AM / RKS
Autor: Carlos Lospitao

A socimi espanhola Ktesios Real Estate deu o salto ao Euronext Lisbon no passado dia 1 de junho de 2021 com um objetivo bem concreto: replicar em Portugal o seu modelo de investimento em habitação de arrendamento acessível. E vai fazê-lo no médio prazo combinando “na perfeição o binómio rentabilidade e impacto social”, refere Henry Gallego, presidente e CEO de Ktesios em entrevista ao idealista/news.

No entendimento de Henry Gallego, “Ktesios é a primeira socimi com vocação social e retornos recorrentes que investe em áreas 'não-prime' com rendas acessíveis e que sabe conjugar na perfeição o binómio rentabilidade e impacto social”. Isto é “oferecemos aos investidores retornos elevados, mas sem esquecer o fator social, que passa por facilicar o acesso à habitação digna e de qualidade”, explica o CEO da socimi que é gerida e promovida pela RKS Asset Management.

O modelo de negócio que funciona

Sobre a estratégia de investimento da socimi, Henry Gallego explica que primeiro adquirem "propriedades residenciais com descontos substanciais que se situam em localidades distantes das grandes cidades com microeconomias favoráveis”. Entre os imóveis na mira estão os que provêm dos bancos e de fundos de investimento, que não os consideram ativos ‘core’.

Depois de adquiridas, as casas podem ser remodeladas se necessário – um processo que requer geralmente uma despesa “muito pequena” – e, depois, são colocadas no mercado de arrendamento a preços acessíveis.

Quando falamos no modelo de arrendamento acessível da Ktesios, referimo-nos a casas “de alta qualidade” com rendas que se situam nos 300 ou 400 euros por mês. Esta oferta de preços ajuda a facilitar o acesso à habitação e pretende ser competitiva, tendo o objetivo de “ser a primeira escolha do potencial inquilino”, segundo explica Henry Gallego na mesma entrevista. Atualmente, a socimi tem casas arrendadas a 110 famílias em Espanha.

Os baixos custos das rendas é um fator importante para obter rendimentos de longo prazo, elevada ocupação dos imóveis e ainda baixa rotatividade de inquilinos. Todos estes indicadores geram “uma maior rentabilidade do que nas áreas ‘prime’”, garante o presidente da socimi, que avança ainda que o seu objetivo de retorno anual é de 6,5%, com um ‘break-even’ em 2022.

“A nossa estratégia de investimento tem muito potencial e compensa”, refere o CEO da socimi, que sublinha ainda o facto da sua estratégia ajudar a “colocar em uso propriedades que de outra forma estariam vazias”. Estas casas são concentradas no mesmo edifício, o que torna o processo de otimização de recursos e controlo de despesas mais eficiente, explica.

Apartamentos
Imagem de rotekirsche20 por Pixabay

Porquê a Euronext Lisbon?

Foram vários os motivos que levaram Ktesios a escolher a Euronext Lisbon, que para o presidente da socimi é um “mercado de referência para as empresas imobiliárias europeias”.

A vontade de ter “visibilidade internacional” e de “replicar o nosso modelo de negócio no mercado português nos próximos meses” são duas razões apontadas por Henry Gallego. E, depois, há aspetos mais técnicos como os custos, despesas associadas ao início da cotização que “são consideravelmente reduzidos em comparação com o crescimento da BME, por exemplo” e há ainda “menos burocracia e mais agilidade nos procedimentos, embora sejam rigorosos”, refere ainda.

Por outro lado, também pesou o facto de noutros mercados haver “demasiados atores em cena” e na Euronext Lisbon existirem apenas duas socimis [Merlin Properties e a ORES Portugal] e nenhuma delas é residencial. “Desta forma, podemos destacar-nos e fazer as coisas de forma diferente”, conclui.

O salto para o futuro

Apesar da pandemia da Covid-19, o saldo da Ktesios em 2020 foi “muito positivo, uma vez que atingimos as metas estabelecidas tanto em termos de capital social como de investimento imobiliário, que agora ultrapassam os 12 milhões de euros”, avança o diretivo. E o que vem a seguir?

Depois de dar o salto à bolsa “estamos a trabalhar num plano estratégico que nos permitirá adquirir mais de 3.000 ativos até 2025, com um crescimento sustentável, mas progressivo, seguindo a mesma estratégia de investimento”, refere o CEO da socimi. Só este 'pipeline' já identificado irá permitir à Ktesios aumentar a sua presença em 195 localidades em 26 províncias e atingir um valor de mercado estimado de 300 milhões de euros.

Alargar a sua atividade a outros setores do imobiliário não está de momento nos planos da socimi. Henry Gallego sublinha que “a nossa experiência está centrada no mercado de arrendamento residencial e acessível, e em áreas distantes das grandes cidades. É aí que vemos funcionar esta fórmula que temos vindo a testar há cinco anos e é também é onde reside a nossa experiência”, conclui.