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Imóveis sobrevalorizados ainda não são um risco para a banca

Laginha de Sousa, administrador do Banco de Portugal (BdP) com o pelouro da estabilidade financeira, considera que o sistema bancário está relativamente protegido”.

Imóveis sobrevalorizados ainda não são um risco para a banca
Photo by Ira Komornik on Unsplash
Autor: Redação

Apesar de em Portugal os imóveis estarem sobrevalorizados, para já, ainda não constituem um risco para a banca, de acordo com as declarações de Laginha de Sousa, administrador do Banco de Portugal (BdP) com o pelouro da estabilidade financeira, ao Jornal de Negócios.

O possível impacto que a queda de preços neste setor poderá ter na carteira de crédito da banca preocupa o regulador, contudo, e segundo este responsável, há vários fatores que “protegem” o sistema. O facto do crédito à habitação não estar “concentrado e em famílias cujos empregos estejam nos setores mais afetados pela pandemia” é um deles, disse em entrevista ao jornal.

“Há um aumento de preços do imobiliário, porventura para além daquilo que seria explicável, por algum racional económico mais simples, mas não há evidência de que isso esteja a levar a acumulação de risco dentro do setor bancário”, acrescenta.

Na opinião de Laginha de Sousa, “esse aumento de preços resulta de um conjunto de alterações estruturais, nomeadamente o facto de termos cada vez mais intervenientes estrangeiros no imobiliário nacional, sejam particulares, sejam fundos”.

Ainda assim, e apesar de esse ser uma fonte de “algum” risco, “porque muitos desses investidores têm dívida contraída junto do sistema financeiro internacional e, se houver alteração das condições de financiamento, isso pode levar a uma queda rápida do preço do imobiliário”, Laginha de Sousa consiera que, mesmo que isso aconteça, “o sistema bancário está relativamente protegido”.

“O imobiliário é sempre um setor muito relevante para qualquer sistema financeiro, mas, neste momento, não surge como um fator de preocupação de risco sistémico”, sublinha.