
O acesso à habitação está a deteriorar-se em Portugal. As famílias sentem dificuldades em comprar casa, devido aos elevados preços, altos juros nos créditos habitação e apertado poder de compra. E também sentem dificuldade em arrendar casa, já que as rendas não param de subir. É isso mesmo que mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta sexta-feira, dia 22 de dezembro: a renda mediana subiu 10,5% no verão de 2023 face ao mesmo período do ano passado, fixando-se em 7,25 euros por metro quadrado (euros/m2). E, em resultado, foram selados menos contratos de arrendamento (-2%). Mas face ao trimestre anterior, a realidade é outra: verifica-se uma ligeira descida das rendas e um aumento dos contratos.
Os dados provisórios do INE revelam que a renda mediana em Portugal situou-se nos 7,25 euros/m2 no terceiro trimestre de 2023. “Este valor representa um crescimento homólogo de +10,5%, embora seja inferior à variação homóloga registada no segundo trimestre de 2023 (+11,0%)”, explica o instituto na nota divulgada esta sexta-feira. Já face ao trimestre anterior, a renda das casas desceu ligeiramente (-0,3%).
Esta foi a renda das casas (em termos medianos) apurada tendo em conta os 23.717 novos contratos de arrendamento celebrados neste período. E, sobre este ponto, o gabinete nacional de estatística conclui que no verão de 2023, “o número de novos contratos de arrendamento foi menor que o registado no mesmo trimestre de 2022 (-2,0%), embora, face ao trimestre anterior, se tenha verificado um aumento de +14,3%”.
Custo de arrendar casa sobe nos municípios mais populosos
Os dados no INE mostram também que, no verão de 2023, houve um aumento da renda mediana em todos os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes face ao período homólogo, com as subidas mais expressivas a serem registadas em Setúbal (+23,1%) e Lisboa (+20,9%).
Aliás, em 18 concelhos registou-se uma subida do custo no arrendamento superior ao do país. E, em resultado, todos os municípios mais populosos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, registaram rendas medianas iguais ou superiores à nacional, com exceção de Santa Maria da Feira (5,28 euros/m2).
Ainda assim, entre julho e setembro deste ano houve uma desaceleração das rendas das casas em 13 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes – mais três que no trimestre anterior.
Casas para arrendar mais caras na maioria das sub-regiões
No terceiro trimestre de 2023, observou-se que cinco das 25 sub-regiões apresentaram rendas das casas superiores à nacional, das quais quatro registaram também aumentos das rendas tem termos homólogos superiores ao observado para o conjunto do país:
- Área Metropolitana de Lisboa: registou uma renda de 11,40 euros/m2 e uma subida de 12,5%;
- Região Autónoma da Madeira (8,79 euros/m2 e uma subida de 16,4%);
- Área Metropolitana do Porto (8,22 euros/m2; +12,4%);
- Alentejo Litoral (7,47 euros/m2; +15,3%):
- Algarve: apesar da renda mediana ser superior à nacional (8,03 euros/m2), a subida homóloga foi inferior (+7,4%).
Em comparação com o mesmo período do ano passado, a renda das casas aumentou em todas as 25 sub-regiões do país, com exceção do Alto Alentejo (-9,3%) e do Alto Tâmega (-2,2%). Tal como em anteriores trimestres, Terras de Trás-os-Montes (2,64 euros/m2) registou a menor renda nos novos contratos de arrendamento no verão de 2023, aponta o INE.
Face ao trimestre anterior, as rendas das casas aumentaram em 13 das 25 sub-regiões portuguesas, com o instituto a destacar as sub-regiões Alentejo Litoral (+12,7%), Alentejo Central (+12,1%), Baixo Alentejo (+11,6%) e Cávado (+11,3%). Além disso, “a renda mediana também cresceu nas áreas metropolitanas do Porto (+4,4%) e de Lisboa (+3,4%)”, acrescenta. Por outro lado, as maiores quedas nas rendas foram registadas em Terras de Trás-os-Montes (-11,4%) e no Alto Alentejo (-10,2%).
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