A empresa Diagramamotriz vendeu várias vezes as mesmas casas em complexos residenciais de luxo no concelho de Palmela, angariando milhões em sinais.
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Palmela Dreams
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A Diagramamotriz – Construção Unipessoal, Lda., constituída em 2017, tornou-se protagonista de um dos maiores escândalos imobiliários recentes em Portugal. A empresa, liderada por Romeu Joel Marçalo da Silva, vendeu várias vezes as mesmas casas em complexos residenciais de luxo no concelho de Palmela, angariando milhões em sinais junto de dezenas de promitentes compradores. Segundo o administrador de insolvência, “a insolvente angariou mais de 17 milhões de euros em sinais junto de promitentes compradores, que viram as suas expectativas goradas com a atuação dolosa da insolvente”.

De acordo com o Jornal de Negócios, a situação agravou-se com a alienação do principal ativo da empresa, o empreendimento “Palmela Dreams”, à sociedade Publiobra – Sociedade de Construções Civis, por apenas quatro milhões de euros. O gestor judicial Francisco José Areias Duarte considera o negócio “claramente prejudicial para a massa insolvente e para os seus credores, tendo como único objetivo subtrair património da esfera patrimonial da insolvente”. A publicação acrescenta que, além deste empreendimento, a Diagramamotriz aplicou esquemas semelhantes nos projetos “Alcaide Villas”, “Urbanização de Santa Teresinha”, “Ferra Cinta” e “Aires Dreams Living”.

Segundo a mesma fonte, os créditos reclamados até agora totalizam cerca de 26,7 milhões de euros, envolvendo 144 credores, incluindo 114 famílias lesadas, com valores individuais que chegam a centenas de milhares de euros. Entre os lesados estão Fábio e Joana Abrantes, Ana Cardoso Pires e Oleksii Tsebinoga, que viram as suas poupanças comprometidas por contratos de promessa de compra e venda celebrados com a Diagramamotriz. Além disso, o Fisco e a Segurança Social têm a haver 87,4 mil e 41,6 mil euros, respetivamente.

Face a este quadro, o gestor judicial considera que a aprovação de um plano de recuperação da Diagramamotriz “não se afigura viável” e que “o encerramento da empresa é irreversível”. O próximo passo será a liquidação dos ativos, decisão a ser formalizada em assembleia de credores. O caso deixa um alerta para a necessidade de maior fiscalização e transparência no setor imobiliário, sobretudo em empreendimentos de alto valor e múltiplas promessas de venda.

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