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Alemanha apoia incluir a residência habitual numa nova medição da inflação na Zona Euro

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Autor: Redação

Os preços das residências habituais há muito que integram a lista de bens incluídos no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Nacional de Estatísticas da Alemanha. Não estão, no entanto, incluídos no IPC harmonizado, o que é decisivo para a política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Um cenário que pode vir a mudar nos próximos tempos, já que o Governo alemão parece apoiar a inclusão das casas ocupadas pelos respetivos proprietários no IPC calculado para fins europeus.

A garantia foi dada pelo ministério da Economia alemão, em resposta a uma pergunta parlamentar de um membro do Partido Democrático Livre (FDP, em alemão) do estado alemão da Turíngia. 

Segundo cálculos do BCE, a taxa de inflação da Zona Euro aumentaria de 0,2 a 0,3% se a residência habitual fosse incluída em todos os países. Este aumento facilitaria o objetivo do BCE de atingir uma inflação pouco inferior a 2%. Segundo os especialistas, isso seria um pré-requisito para o fim da política de juros baixos, que tem sido criticada, principalmente na Alemanha.

O político alemão Gerald Ullrich, do FDP, afirmou que a inflação na Europa está, na realidade, muito mais alta que o padrão de preços usado pelo BCE e que o poder de compra dos cidadãos está a diminuir de forma contínua.

Desde a atual crise financeira, a taxa de inflação do Euro aumentou ligeiramente, chegando mesmo a diminuir nos últimos meses - em novembro e outubro, 0,3% na Zona Euro. Na Alemanha, também caiu 0,3% em novembro e 0,2% em outubro, ainda que incluída a residência habitual/principal.

Economistas alertam contra a ilusão da inflação

Volta a surgir entre os economistas o dilema de saber se todos os bens da cesta de consumo, a partir dos quais o IPC é calculado, estão corretamente ponderados. O economista Gunther Schnabl, da Universidade de Leipzig, alerta para a “ilusão de inflação baixa na Zona Euro”, e está convicto de que o facto de “não levar em conta os imóveis residenciais” contribui “para essa ilusão”.

Agora, o BCE está a considerar “rever” a inflação como parte da sua nova estratégia. A presidente do BCE, Christine Lagarde, anunciou isso mesmo após assumir o cargo em novembro de 2019.

Há uma controvérsia na forma como a parte relacionada com a qualidade dos produtos seria ajustada ao preço. Se a qualidade for má, por exemplo, devia-se extrapolar nos preços. Por exemplo, se os móveis estão a ser feitos cada vez mais com cartão em vez de madeira real, isso deve ser percetível nos preços, mas a deterioração do produto é muito mais difícil de registrar, pelo que o ajuste da qualidade é distorcido, segundo Schnabl .

No entanto, o Instituto Nacional de Estatísticas da Alemanha rejeita essa crítica e considera que os preços serão corrigidos nas duas direções. No entanto, em alguns casos, é quase impossível registar.

Apenas alguns países da UE incluem a residência principal dos proprietários nas suas contas, sendo também tido em consideração se a casa é arrendada.

No índice alemão, “o arrendamento de um apartamento representa 20,7% do índice”. “Se se incluirem todos os custos acessórios, como aquecimento e energia elétrica, o valor sobe para 32,4%”, segundo o economista Volker Wieland.

O fato de morar em grandes cidades não se tornou um fator de inflação, apesar do aumento significativo dos preços dos arrendamentos e dos preços das casas, porque apenas um em cada três residentes reside mora no local. Fora das grandes cidades, os preços apenas aumentaram.

Wieland explica que este conceito de equivalência de arrendamento também é usado na Holanda ou nos EUA. “Foi um dos motivos pelos quais a inflação subiu 2% entre 2015 e 2018 e a Reserva Federal respondeu com aumentos nas taxas de juros”, afirma.

O especialista considera que é correto registar o custo da habitação da forma mais completa possível. Na Zona Euro, a inflação seria atualmente um pouco mais elevada. Para a Alemanha, crê que os efeitos de uma alteração do IPC serão menores.

A situação é diferente no sul da Europa. A taxa de casa própria é significativamente mais alta na França, Itália, Espanha e Portugal que na Alemanha. Esses são os países que podem vir a ter problemas nos mercados financeiros se o BCE aumentar as taxas de juro quando a inflação subir. Tudo indica que eles vão resistir a qualquer mudança que possa elevar a taxa de inflação, através da Comissão Europeia.