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Valor médio das casas em Londres ultrapassa a barreira do meio milhão em plena pandemia

Os preços cresceram mais rápido no centro da capital britânica do que nos bairros periféricos, apesar do aumento da procura nestas zonas.

Photo by Giammarco Boscaro on Unsplash
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Autor: Redação

O mercado residencial de Londres registou números recordes durante a nova onda de coronavírus que atingiu o Reino Unido. Uma casa média na capital britânica ultrapassou o valor de meio milhão de libras. Após o fim do primeiro confinamento, a subida na procura, junto com os cortes de impostos na compra de imóveis - aprovados pelo governo de Boris Johnson - empurraram os preços em Londres para o dobro da média nacional.

O acesso à habitação na capital britânica tornou-se assim mais difícil para os jovens e para aqueles que têm mais dificuldades financeiras, segundo os dados publicados pelo Office for National Statistics (ONS) do Reino Unido, a partir de registos da propriedade. O preço em Londres subiu 9,7% em novembro, em termos homólogos, atingindo um valor médio de 513.997 libras esterlinas, o equivalente a 582.973 euros à taxa de câmbio atual.

Um número nunca antes visto em Londres e que é mais do que o dobro da média nacional do Reino Unido, tal como escreve a agência de notícias internacional Bloomberg, dando nota de que a economia britânica vive uma das mais profundas depressões dos últimos três séculos, resultado da crise pandémica, com elevado número de infetados e mortos, a par da resolução sobre o Brexit. Entre os fatores que levaram a esse aumento de preços está a recuperação da quebra registada na procura provocada pelo primeiro bloqueio do país na primavera de 2020, mas também os cortes de impostos estabelecidos pelo executivo de Boris Johnson para manter o mercado imobiliário.

Desde julho do ano passado, o pagamento de impostos no Reino Unido foi suspenso em cerca de 90% das transações imobiliárias. A isenção elimina as taxas para as primeiras 500.000 libras do valor de venda, cerca de 563.500 euros, até ao máximo de 15.000 libras, cerca de 17.000 euros. Esta medida do governo do Reino Unido acaba no final de março de 2021.

Os preços em Londres cresceram mais rápido do que nos bairros periféricos. Kensington e Chelsea, o bairro mais caro do Reino Unido, e Brent registaram aumentos de mais de 20%. E tudo isso apesar de um número crescente de habitantes decidir mudar-se para a periferia, para locais com mais espaços verdes em resposta à pandemia e às mudanças no trabalho, com o aumento do smart work. "Londres tem uma percentagem relativamente alta de propriedades compradas como investimento, em comparação com outras áreas do Reino Unido, tanto por compradores que pagam em dinheiro quanto por investidores estrangeiros", de acordo com o gabinete de estatística.