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Evergrande escapa a ‘default’ no último momento

A gigante imobiliária conseguiu reembolsar o pagamento de juros sob um título emitido em dólares, dias antes de entrar formalmente em incumprimento.

Evergrande escapa a ‘default’ no último momento
Photo by Magda Ehlers from Pexels
Autor: Redação

A chinesa Evergrande, altamente endividada, escapou, para já, a um cenário de ‘default’. A gigante imobiliária conseguiu reembolsar o pagamento de juros sob um título emitido em dólares, dias antes de entrar formalmente em incumprimento.

O jornal Securities Times noticiou que o grupo imobiliário transferiu na quinta-feira, dia 21 de outubro, um pagamento de juros no valor 83,5 milhões de dólares (71 milhões de euros) para o Citibank, o fiduciário do título, e que os fundos seriam pagos aos investidores antes do fim do período de carência, este fim de semana. A imprensa estatal chinesa já confirmou, de resto, o pagamento.

O fracasso da Evergrande em pagar o cupão até ao prazo de 23 de setembro gerou volatilidade no mercado de capitais internacional e avaliações negativas sobre o setor imobiliário da China, que está sob pressão do governo, tal como escreve o Financial Times.

A falta de pagamento, recorde-se, desencadeou um período de carência de 30 dias, que devia expirar à meia-noite em Nova Iorque, no sábado, resultando num incumprimento, o que abria caminho para um grupo de investidores com títulos suficientes para tomar medidas legais.

O grupo, que enfrenta mais de 300 mil milhões de dólares (quase 260 mil milhões de euros) em passivo e falhou quatro outros pagamentos de juros emitidos no mercado internacional, nas últimas semanas, quebrou o silêncio sobre os pagamentos, na quarta-feira, quando observou que o período de carência não tinha ainda expirado.

Na sexta-feira passada, um funcionário do Banco Popular da China culpou a empresa pela crise de liquidez, mas ressalvou que o impacto da crise da Evergrande no sistema financeiro do país “é controlável”.

Um antigo investidor em títulos imobiliários chineses, citado pelo Financial Times, sugere que este pagamento é uma medida "temporária" destinada a "ganhar tempo [e] evitar processos judiciais, por enquanto".