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Imobiliária chinesa Sinic segue os passos da Evergrande: não consegue pagar obrigações

Esta é a terceira imobiliária chinesa em crise nas últimas semanas. Este cenário tem agravado a incerteza no imobiliário da China.

Crise no mercado imobiliário chinês
Pixabay
Autor: Redação

A imobiliária chinesa Sinic Holdings anunciou nesta terça-feira, dia 12 de outubro de 2021, que não vai conseguir cumprir com o pagamento de obrigações aos detentores de títulos 'offshore' na data prevista, devido à falta de liquidez. Este cenário tem alimentado ainda mais a incerteza em torno do setor imobiliário chinês depois do terramoto gerado pela crise na Evergrande.

Em concreto, a Sinic Holdings - que tem ações suspensas desde 20 de setembro na Bolsa de Valores de Hong Kong -  deveria levar a cabo, no próximo dia 18 de outubro de 2021, o pagamento final e último pagamento de juros de uma emissão de títulos no valor de 250 milhões de dólares com uma rentabilidade de 9,5%. Mas tal não deverá acontecer.

“Atualmente, a empresa prevê que não terá recursos financeiros suficientes para fazer os pagamentos da principal e da última parcela de juros dos títulos de 2021 na data de vencimento. Portanto, a empresa considera que é provável que haja incumprimento dos termos e condições dos Bonds 2021 ", explicou.

Ainda assim, a empresa garantiu que continua a esforçar-se para encontrar uma solução "aceitável" para os credores, para os atuais problemas financeiros do grupo.

Crise no mercado imobiliário chinês
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Seguindo os passos de Fantasia e Evergrande...

Só nas últimas semanas, a Sinic é já a terceira imobiliária chinesa que confirmou ter falta de liquidez para cumprir suas obrigações financeiras.  No início de outubro, a promotora chinesa Fantasia Holdings não conseguiu cumprir suas obrigações de pagamento de uma dívida de 205,65 milhões de dólares (177 milhões de euros) na data de vencimento, alimentando a incerteza em torno do alavancado imobiliário chinês.

De acordo com o jornal Financial Times, a agência de classificação de risco S&P baixou a classificação do Fantasia no final de setembro para CCC. E alertou para um "maior risco de execução no pagamento" em relação aos títulos que venceram a 4 de outubro. Por outro lado, a agência Fitch estima que Fantasia tem 1,9 bilhões de dólares em pagamentos de títulos no estrangeiro com vencimento no final de 2022.

O 'default' da Fantasia Holding soma-se às preocupações desencadeadas pela situação da gigante imobiliária Evergrande, que reconheceu no final de agosto o risco de entrar em incumprimento devido às dificuldades em obter a liquidez necessária para pagar dívidas. Isto surgiu devido à suspensão das obras em vários dos projetos desenvolvidos pela empresa.

Crise no mercado imobiliário chinês
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Na procura por liquidez para fazer frente às dívidas vencidas, a gigante chinesa vendeu 19,93% do banco chinês Shengjing Bank por 9.993 milhões de yuans (1.312 milhões de euros), valor esse que será usado ​​para reduzir a sua dívida. E está ainda em negociações com seu concorrente Hopson Development Holdings para vender cerca de 51% das ações da Evergrande Property (divisão imobiliária do grupo) por cerca de 40 bilhões de dólares de Hong Kong (4,428 milhões de euros).

Nos primeiros seis meses do exercício, a empresa registrou uma queda de 28,9% no rendimento líquido, para 10.499 milhões de yuans (1.375 milhões de euros). Por sua vez, o faturamento caiu 16,5% em comparação com a primeira metade de 2020, para 222.690 milhões de yuans ( 29.166 milhões de euros).

Por outro lado, a empresa chinesa informou que no primeiro semestre o seu passivo totalizou 1.966 trilhões de yuans (257.490 milhões de euros), com uma dívida de 571.775 milhões de yuans (74.886 milhões de euros). Só em dívidas com vencimento no curto prazo, a empresa tem 240.049 milhões de yuans (31.439 milhões de euros) - o equivalente a 42% do total em dívida.

Note-se que a empresa contava com uma liquidez de 86.772 milhões de yuans (11.364 milhões de euros), uma valor 45% inferior ao registrado no ano anterior.

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Incumprimento no pagamento de títulos

O dia 24 de setembro de 2021 era o prazo para a  Evergrande pagar um dos seus títulos em dólares, no valor de aproximadamente 83,5 milhões de dólares (71,16 milhões de euros). Dias antes, a Evergrande informou ao mercado que havia chegado a um acordo com os detentores das obrigações emitidas em yuans para o pagar o valor em dívida, mas o mesmo não aconteceu com o título em dólares. A Evergrande não fez qualquer declaração a esse respeito e tem um período de carência de 30 dias antes que seja considerado não pago ('default').

Segundo os cálculos realizados pelos meios de comunicação chineses, a gigante imobiliária deve mais de 800 bilhões de yuans, cerca de 105 bilhões de euros à taxa de câmbio atual. Este valor em dívida deverá ser reembolsado ​​nos próximos 12 meses, mas sua liquidez mal chega a 10% desse montante. Além disso, a promotora tinha um passivo de 259.119 milhões de euros em 30 de junho de 2021, de acordo com os últimos dados disponíveis. Deste valor, 75.360 milhões de euros correspondem a empréstimos e 125.359 milhões de euros a contas a pagar a fornecedores.

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O risco de o gigante promotor entrar em 'default' tem estado no foco dos mercados nas últimas semanas, recordando os fantasmas da falência do Lehman Brothers em 2008. Mas os especialistas limitam o impacto que a falência da Evergrande teria à escala global. No entanto, a empresa perdeu mais de 80% de seu valor de mercado só este ano.

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luís de Guindos, garantiu esta segunda-feira, dia 11 de outubro de 2021, que "a exposição de bancos e entidades europeias (à Evergrande) é relativamente baixa", embora tenha destacado que a situação da empresa chinesa serve para destacar os riscos derivados da alavancagem financeira do mercado imobiliário.